«Não se elimina o sofrimento eliminando a pessoa», adverte

Fátima, 12 mai 2018 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima lamentou hoje, na Cova da Iria, a “falta de esclarecimento” e “muita ambiguidade” que considera existir no atual debate sobre a legalização da eutanásia em Portugal

“Faço um apelo a toda a sociedade e às instituições responsáveis para um debate sereno, sério, esclarecido e esclarecedor, aprofundado e humanizador”, declarou D. António Marto, aos jornalistas, na apresentação da peregrinação internacional do 13 de maio.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sustentou que “não se elimina o sofrimento eliminando a pessoa”, convidando a “cuidar da pessoa” e das famílias que acompanham estes doentes.

O bispo de Leiria-Fátima recordou que a Igreja está a promover um “dinamismo de esclarecimento” dos seus fiéis e de todas as pessoas que queiram conhecer o pensamento cristão e católico sobre a eutanásia.

“Há que oferecer a quem sofre, e a quem sofre de uma maneira muito difícil, os chamados cuidados paliativos, uma alternativa”, assinalou, considerando que, neste campo, se tem feito “pouquíssimo”.

Para D. António Marto, este tem sido um tema “debatido em pequenos grupos”, mas não a nível da sociedade, ao contrário do que aconteceu em França com os “Estados Gerais”.

“A promoção, a valorização, a defesa da vida humana em todas as suas fases é, em grande parte, fruto do Cristianismo”, assinalou.

“Não fazemos guerras, mas também não podemos ficar silenciados”, disse ainda.

O vice-presidente do episcopado católico em Portugal defendeu a necessidade de fazer tudo para que as pessoas “não se sintam sós, não se sintam abandonadas”.

Para o responsável, é de estranhar a “pressa” em colocar a questão da eutanásia em cima da mesa, ao contrário do que acontece com o problema da natalidade ou a pobreza em Portugal, o fosso entre ricos em pobres.

“São questões de ordem social que exigem uma resposta mais rápida”, observou.

O Santuário de Fátima espera hoje uma enchente para a primeira peregrinação internacional após o Centenário das Aparições (1917-2017), com presidência do cardeal John Tong, arcebispo emérito de Hong Kong.

D. António Marto lembrou a presença do Papa Francisco em maio de 2017, que veio “pôr em evidência” a “dimensão profética” da Mensagem de Fátima e a sua “internacionalização”.

Esta visita pontifícia, acrescentou, foi o “momento mais alto” no Centenário das Aparições, com a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto

O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda que a 19 de maio vai ser feito o anúncio da data de canonização de um “grande Papa”, Paulo VI, o primeiro pontífice a visitar Fátima, que esteve na Cova da Iria “enfrentando a oposição de toda a Cúria Romana”.

D. António Marto saudou também o trabalho dos jornalistas, na busca da “verdade” e da “paz social”, na véspera da celebração do 52.º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Segundo dados do Santuário, estão inscritos 148 grupos organizados de 26 países, num total de 9000 peregrinos, provenientes de todos os continentes; da Ásia estão inscritos cerca de 350 peregrinos, organizados em 10 grupos.

Cerca de 37 mil peregrinos a pé acorreram à Cova da Iria.

Os peregrinos vão recordar a questão da eutanásia, esta noite, nas preces da Missa internacional: “Pela autoridade e parlamento nacional, para que no processo de governo e de legislação promova a vida e ela seja sempre tutelada e amada, desde a sua conceção até ao seu fim natural”.

OC

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