Simpósio Teológico-pastoral convoca para três dias de reflexão diferentes olhares sobre a mensagem mariana com 100 anos na Cova da Iria

Fátima, 23 jun 21018 (Ecclesia) – O Simpósio Teológico-Pastoral que decorre em Fátima e reflete sobre a sua mensagem hoje e no futuro procura olhar para a mensagem e “descobrir novas formas de a dizer”.

A organização quis chamar diversos investigadores, “de diferentes academias” para se pronunciarem sobre esta mensagem que, afirma Marco Daniel Duarte à Agência ECCLESIA, “não vai ser nova a partir de 2017 ou em 2018, é o mesmo fenómeno entendido a partir das linguagens concretas que as academias desenvolvem a cada época”.

O presidente da comissão organizadora do Simpósio Teológico-pastoral sublinha o traço da “paz” que tem caracterizado Fátima ao longo dos 100 anos de história, mesmo que, ” porventura, diferentes linguagens” a tenham querido “instrumentalizar”.

“A paz que era desejada em 1917 continua a ser desejada nos anos 40 do século XX, dos anos 50, 60 e 70 e continua a ser desejada em 2018”, afirma o responsável, destacando “o lugar que traz o dom da paz” enquanto sinal de “Cristo e dos discípulos que acreditam ser Ele a verdadeira paz para o mundo”, sintetiza.

Para a Irmã Ângela Coelho é o apelo à santidade que “toca a vida das pessoas” e as liga a Fátima.

“Ainda que a pergunta não seja tocada explicitamente nas palavras de Nossa Senhora ou do Anjo, costumamos dizer que pelo fruto se vê a árvore. Um grande desejo que é aceso em tantas pessoas que contactam com Fátima, é este desejo de santidade, se vê o quanto esta árvore da mensagem de Fátima é uma árvore permeada com a seiva de Deus”, afirma a religiosa à Agência ECCLESIA.

Para a diretora da Fundação Francisco e Jacinta Marto, ex-postuladora da Causa de Canonização dos Pastorinhos, “o contacto com as coisas santas”, dá o desejo de santidade.

“Fátima como apelo a pensar nos outros, a pensar em Deus, é um auxilio para responder a esta doença da auto referencialidade que nos vai consumindo”, indica a religiosa da Aliança de Santa Maria.

O teólogo Pedro Valinho apresentou a santidade dos pastorinhos.

“O herói é o que faz toda a história girar à sua volta, é aquele que não pode errar, porque se errar será o fim. O santo percebe que a história não gira à sua volta, que ele não é o protagonista, que não é o centro das atenções e estas crianças ensinam-nos isto muito bem”, afirmou à Agência ECCLESIA.

Um “caminho espiritual e convicto” é o sinal que os pastorinhos dão “para toda a Igreja e para os peregrinos”.

O diretor do serviço de peregrinos do Santuário de Fátima aludiu à simplicidade que, tal como todos os crentes falam de Deus, os pastorinhos usavam para dar conta de algo que “não podiam calar”.

“Eles falam de coisas estranhíssimas como a Rússia, a consagração, sacrifício… são palavras de que eles não saberiam falar, mas não podem deixar de falar sobre elas e, sobretudo, de se comprometer com elas”.

Esta é, para o teólogo, uma das grandes aprendizagens quer “os peregrinos e a Igreja em geral”, têm a fazer com os pastorinhos.

“Nas coisas muito simples, na quase banalidade e inutilidade dos seus gestos, eles oferecem a vida toda dando testemunho de uma história maior do que eles, que é a história de Deus. Se a Igreja conseguir aprender isto estamos no bom caminho”.

Para o reitor do espaço cabe ao santuário perceber como é que pode ser “guardião da mensagem de Fátima”, dai a importância de encontros que estimulem a reflexão.

“Estes momentos reflexivos, e o simpósio é apenas uma manifestação, no seu conjunto de atividades, procura levar a aprofundar esta mensagem, tornando este lugar tão especial”, afirmou o padre Carlos Cabecinhas à Agência ECCLESIA.

O Simpósio Teológico-Pastoral ‘Fátima Hoje: que sentido?’ que decorre no salão do Bom Pastor, do Centro Pastoral Paulo VI, até este domingo, e tem transmissão em direto online.

JCP/LS

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