D. Philippe Barbarin é acusado de ter encoberto durante anos abusos sexuais cometidos contra dezenas de menores na sua arquidiocese

Foto AFP, O cardeal Philippe Barbarin em tribunal, no primeiro dia do interrogatório relacionado com abusos sexuais na Arquidiocese de Lyon, a 7 de janeiro de 2019

Cidade do Vaticano, 08 jan 2019 (Ecclesia) – O cardeal francês Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, está a ser ouvido em tribunal no âmbito da investigação em curso aos alegados casos de abusos sexuais contra menores que envolvem a Igreja Católica em França.

Segundo o portal Vatican News, D. Philippe Barbarin é chamado a explicar à justiça francesa porque é que “não denunciou as agressões sexuais que estavam a ser cometidas contra menores” e porque é que “não prestou a devida assistência às vítimas”.

Em causa, neste processo, estão os abusos cometidos pelo padre Bernard Preynat, da Arquidiocese de Lyon, suspeito de ter molestado sexualmente dezenas de menores nas últimas décadas.

O sacerdote começou por ser acusado em 2014, por um antigo escoteiro que denunciou os abusos sofridos em criança, e o caso atingiu também o cardeal Philippe Barbarin, por alegadamente não ter denunciado os crimes.

Atualmente são 10 as antigas vítimas do padre Bernard Preynat a clamarem por justiça pelas agressões que sofreram.

D. Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon desde 2002, sempre negou ter encoberto as ações do padre Bernard Preynat, mas admitiu em abril de 2018, durante uma intervenção perante o clero da diocese, “erros na nomeação de certos padres”.

Esta segunda-feira, antes de um interrogatório de cerca de três horas, no Tribunal Criminal de Lyon, o arcebispo de Lyon reforçou esta mesma defesa, qualificando, no entanto, as acusações de “factos horríveis”.

O mesmo responsável católico admitiu ainda que  “no passado nem sempre soube usar as melhores palavras”, para abordar esta situação.

Recorde-se que em 2016, durante uma assembleia de bispos em Lourdes, D. Philippe Barbarin gerou polémica ao destacar o facto de “a maioria dos factos” que envolvem o padre Bernard Preynat já estarem “prescritos”.

O prelado, mais um grupo de outras cinco pessoas convocadas para comparecer perante as autoridades, incluindo o atual arcebispo de Auch (sudoeste de França), D. Maurice Gardes, e o bispo de Nevers (centro), D. Thierry Brac de la Perrière, vão continuar a ser ouvidas em tribunal até esta quarta-feira, dia 09 de janeiro.

Em França, no que toca a casos semelhantes, já foram condenados pela justiça o bispo de Bayeux-Lisieux, em 2001, e o antigo bispo de Orleans, em 2018.

JCP

Partilhar:
Share