«A piedade, a misericórdia são alicerces suficientes para a intervenção», disse, numa conferência sobre os cinco anos de pontificado

Lisboa, 12 mar 2018 (Ecclesia) – O professor Adriano Moreira disse hoje em Lisboa que o Papa Francisco, eleito há cinco anos, tem protagonizado a denúncia da “intolerável situação de um mundo de desigualdades”, onde persistem sinais de “escravatura” e “soberanias exploratórias”.

Falando na abertura de uma conferência dedicada ao 5.º aniversário do pontificado, em Lisboa, o orador assinalou que o pontífice assumiu “a dor moral e a obrigação de consagrado” de reconhecer a “injustiça na distribuição dos recursos” e a ausência da paz, com “divergências políticas inquietantes” em todos os continentes.

“O poder da palavra pode vencer a palavra do poder”, contra uma “ciência sem consciência”, acrescentou.

Adriano Moreira destacou a universalidade das propostas do Papa, sem distinção de raças ou credos, num pontificado que arrasta “pelo exemplo” e “assumiu a obrigação de responder aos desafios da Igreja e do mundo”.

“A piedade, a misericórdia são alicerces suficientes para a intervenção”, precisou o conferencista, para quem Francisco “pretende levar o remédio da voz da Igreja a todo o mundo”.

O antigo ministro e ex-líder do CDS falou num mundo que enfrenta uma “crise humana e ecológica de dimensões planetárias”, a que se soma a atual crise das migrações.

Na comparação com os anteriores pontificados, assinalou Adriano Moreira, “o exame da circunstância é indispensável”.

O orador revelador que, numa carta enviada ao Papa a 2 de fevereiro de 2015, lhe propôs a criação de um “Conselho das religiões”, estruturado com a experiência da ONU e dos encontros inter-religiosos de Assis.

A conferência “Cinco anos com o Papa Francisco” é organizada pela Agência Ecclesia, a Rádio Renascença e a Universidade Católica Portuguesa, decorrendo no auditório Cardeal Medeiros, na UCP, em Lisboa.

O Papa Francisco foi eleito no dia 13 de março de 2013 depois de um Conclave que teve cinco escrutínios e durou pouco mais de 24 horas, após Bento XVI, agora Papa Emérito, ter apresentado a renúncia ao pontificado.

Francisco é o primeiro Papa jesuíta na história da Igreja e também o primeiro pontífice sul-americano.

O atual pontífice assinou duas encíclicas, duas exortações apostólicas, 23 decretos sob a forma de ‘motu proprio’; convocou duas assembleias sinodais sobre a família e um jubileu extraordinário, dedicado à Misericórdia; realizou 22 viagens internacionais e 17 visitas pastorais na Itália; proferiu mais de 600 homilias e 8 ciclos de conferências nas audiências públicas semanais.

OC

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