Padre José Tolentino Mendonça evocou experiência junto do Papa, em seis dias (quase) sem palavras

Lisboa, 12 mar 2018 (Ecclesia) – O padre José Tolentino Mendonça disse hoje em Lisboa que a experiência de ter feito as meditações para o retiro de Quaresma do Papa Francisco lhe mostrou uma “presença que fala”, mesmo no silêncio.

O sacerdote partilhou vivências dos seis dias de exercícios espirituais vividos com o pontífice e responsáveis da Cúria Romana, numa conferência dedicada ao 5.º aniversário da eleição do Papa.

Para Tolentino Mendonça, Francisco é alguém que “sente como seu o sofrimento do mundo” e “veio acordar na Igreja a capacidade de ouvir a voz dos mais frágeis, dos vulneráveis, dos mais pobres”.

O vice-reitor da Universidade Católica explicou que Francisco sempre o tratou “padre Tolentino”, num clima de simplicidade e de “grande verdade”.

“Senti-me um padre, a falar para o Santo Padre, para a Cúria Romana”, um Papa com “grande simplicidade”, que não ocupa lugares na primeira fila.

O padre Tolentino Mendonça gracejou com uma situação, dado que, antes das celebrações, os casacos estavam arrumados por uma certa “hierarquia”; o seu o casaco tinha o número 89.

“Não tinha ilusões em relação ao meu papel”, brincou, provocando gargalhadas na assembleia, com várias centenas de pessoas.

O clima de silêncio estendia-se às refeições, onde era lido um texto escolhido pelo pregador e se ouvia música clássica.

“O tempo passa num instante”, assinalou Tolentino Mendonça, numa conversa orientada por Graça Franco, da Rádio Renascença.

Entre os dias 18 e 23 de fevereiro, o Papa Francisco e os seus colaboradores mais diretos participaram no retiro de Quaresma, nos arredores, orientado pelo padre e poeta português, que propôs 10 reflexões sobre a sede e o desejo de Deus.

Tolentino Mendonça assinalou que este é “um tema muito rico do ponto de vista bíblico” e que foi “revisitado” várias vezes ao longo da história da Igreja pelos “grandes autores da tradição cristã.

A escolha foi ainda justificada pelo facto de ser um tema “antropológico”.

“Interessa-me um discurso cristão que possa ser entendido para lá da cerca do Cristianismo”, acrescentou.

As meditações partiram da Bíblia e também da literatura, que fala a “partir da vida” e das suas questões, para traduzir “a situação do homem contemporâneo”.

No final da intervenção, o núncio apostólico (embaixador da Santa Sé), D. Rino Passigato, questionou o orador sobre a eventual existência de tensões visíveis entre o Papa e os colaboradores da Cúria Romana.

O padre Tolentino Mendonça disse que encontrou um “clima de fraternidade” e falou numa experiência “edificante” para si.

Organizada pela Agência Ecclesia, a Rádio Renascença e a Universidade Católica Portuguesa, a conferência “Cinco anos com o Papa Francisco” decorre no auditório Cardeal Medeiros, na UCP, em Lisboa.

O Papa Francisco foi eleito no dia 13 de março de 2013 depois de um Conclave que teve cinco escrutínios e durou pouco mais de 24 horas, após Bento XVI, agora Papa Emérito, ter apresentado a renúncia ao pontificado.

OC

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