Papa recordado em Fátima e pelo bispo da Guarda

Lisboa, 13 mar 2018 (Ecclesia) – O bispo da Guarda assinalou hoje os cinco anos de pontificado do Papa Francisco, eleito a 13 de março de 2013, falando em palavras e gestos que “não deixam ninguém indiferente”.

“Um Papa vindo do fim do mundo para colocar as periferias no centro, tanto das preocupações da Igreja como da própria sociedade”, escreve D. Manuel Felício, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

O responsável elogia o “discurso direto” do papa sobre as mais variadas situações, “onde não faltam os neologismos surpreendentes, a sua forma original de tratar os assuntos e a proximidade que revela todo o seu estilo de vida são originalidades de que a Igreja e a própria sociedade estavam a precisar”.

D. Manuel Felício saúda também o trabalho de reforma da Cúria Romana e o esforço por “combater os grandes males que continuam a existir no interior da Igreja, o mais falado dos quais, na comunicação social, tem sido o problema da pedofilia”.

O 5.º aniversário da eleição pontifícia foi evocado esta manhã na Basílica da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima, durante o programa da peregrinação mensal de março.

Na Missa presidida pelo reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, os peregrinos presentes foram convidados a “rezar pelo Papa”.

“As orações pelo Papa são intenção permanente neste lugar, como parte integrante da mensagem de Fátima”, assinalou o sacerdote.

Na oração dos fiéis, o Papa Francisco foi recordado, numa prece para que “Nossa Senhora o proteja na sua missão”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre José Maria Brito, diretor do ‘Ponto SJ’, refere-se à “grande alegria e grande exigência” de um Papa que tem pedido à Igreja uma atitude “mais desinstalada” e mais atenta às periferias da sociedade e da Igreja.

O sacerdote jesuíta destaca ainda a proposta de “discernimento” dos desafios do mundo e da vida de cada pessoa de Francisco, alguém com uma “atitude de escuta”.

O padre Luís Marinho da Silva, assistente nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), fala por sua vez numa “verdadeira primavera na Igreja”, elogiando a visão do Papa vindo da América Latina e o protagonismo que dá aos jovens.

“Trouxe um olhar novo e obriga toda a Igreja a ter um olhar diferente para a sua vida e, sobretudo, para a sua missão”, numa linguagem “muito direta” e com gestos “altamente significativos e relevantes”, sustenta.

Nos cinco anos de pontificado, o Papa assinou duas encíclicas (‘Lumen fidei’, sobre a fé, que encerrou um trabalho iniciado por Bento XVI; e ‘Laudato si’, sobre o cuidado da natureza e a ecologia integral); duas exortações apostólicas (‘Evangelii gaudium’ e ‘Amoris laetitia’, após as duas assembleias sinodais dedicadas à família); 23 decretos sob a forma de ‘motu proprio’ (reforma da Cúria Romana, gestão e transparência económica, reforma do processo de nulidade matrimonial, tradução de textos litúrgicos, descentralização nas Conferências Episcopais); presidiu a duas assembleias do Sínodo dos Bispos, sobre a família, e a um Jubileu extraordinário dedicado à Misericórdia.

Francisco realizou até hoje 22 viagens internacionais, com passagem por 33 países, e 17 visitas pastorais na Itália; tem mais de 46 milhões de seguidores no Twitter e mais de 5 milhões no Instagram.

SN/OC

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