Irmãos e irmãs,

O Senhor Ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

Alegremo-nos nesta Noite de Vigília em honra do Senhor. Noite de alegria porque o Senhor Ressuscitou. Ele mesmo Cristo Ressuscitado é a nossa Luz.

Na celebração da Paixão acompanhámos Cristo na noite das trevas, agora na noite acende-se a Luz de Cristo no Círio Pascal, Luz que ilumina as nossas velas e as nossas vidas e nos permite uma nova leitura da História da Salvação das intervenções de Deus e também da nossa história pessoal.

Cristo ao morrer transformou-se em Luz, e essa é a nossa experiência da Fé: uma luz que se acende, que arde sem queimar e nos enche de alegria e de paz, por sabermos que o Senhor morreu por nós e ressuscitou também para nos permitir uma vida retomada no seu amor; amor indestrutível que é mais forte do que a morte.

 

A Vigília Pascal, a grande celebração, coração do Tríduo Pascal, comporta o memorial do passado da História da Salvação; as Leituras da Palavra que escutámos ajudam-nos a situar e a evocar o mesmo Deus que ao longo da História do seu Povo realizou as suas maravilhas. Estamos na continuidade dessa mesma História da presença de Deus entre os homens.

Em Vigília Pascal fazemos memória das maravilhas de Deus, relendo o passado assistidos por esta nova Luz. A Luz de Cristo Ressuscitado, ilumina-nos, recria-nos; e assim se torna atual a força de Deus que chega até nós nesta hora. Com esta Luz, vemos todas as coisas criadas (cf. Leitura do Génesis); ganhamos força libertadora (cf. Leitura do Êxodo); somos convidados à vida nova pela conversão (cf. Leitura de Isaías).

Com esta Luz, como diz a Leitura do Profeta Ezequiel, Deus renova-nos, dá-nos um novo coração, infunde em nós um Espírito novo; e o seguimento de Cristo (ser cristão) torna-se uma feliz experiência, apesar de muito desafiante.

 

A Morte e ressurreição de Cristo constitui a grande afirmação de fé dos cristãos. Não se trata de afirmar apenas que um falecido voltou a viver. Trata-se de afirmar que no homem Jesus estava também a natureza divina e, portanto, se por um momento Jesus experimentou na sua Paixão a dificuldade de acolher a vontade do Pai, superando-a pela oração em total confiança, agora afirmamos que a força do Amor de Deus o fez sair do túmulo. Jesus não era um homem isolado; foi a sua comunhão divina em Amor indestrutível que interveio e se manifestou em vida nova como Ressuscitado para o Pai e para nós. De certo modo, Jesus arrastou-nos para a sua morte para agora nos fazer ressuscitar com Ele, fazendo-nos participantes da sua vitória, concedendo-nos a graça do mesmo Espírito.

 

Mas afirmamos mais: Jesus foi constituído Senhor e Salvador dos vivos e dos mortos. O mundo conhece uma nova Luz, um novo começo, um novo tempo; há um antes e um depois da Páscoa. Porém, a morte e ressurreição do Senhor tem efeitos retroativos e estende-se desde o princípio até ao fim dos tempos, até que o Senhor volte.

Somos chamados a celebrar a Páscoa do Senhor Ressuscitado. De que modo? Morrendo e ressuscitando; obtendo assim uma nova vida marcada pela graça do Espírito Santo. Eis o significado do nosso Batismo, Crisma e Eucaristia. Estamos, assim, no tempo novo da Igreja; a comunidade dos discípulos que tem o Ressuscitado como seu Senhor e procura testemunhar o dom da Fé que tanto humaniza os crentes.

 

Importa considerar para nossa alegria: O Senhor Jesus com a sua ressurreição alcançou-nos. Chegou até nós. Chegou até hoje aqui e agora. Fazemos parte da História da Salvação, da História da Fé professada na Igreja. Pela graça dos sacramentos da Iniciação cristã somos marcados pelo desígnio de Deus que tem como horizonte a eternidade.

Com a sua Ressurreição, Jesus inaugura os tempos novos e agora de nada serve procurá-lo no sepulcro; ressuscitou e, como ouvimos no Evangelho de S. Marcos, “Ele vai adiante de vós para a Galileia”. Isto é: para qualquer periferia ou lugar que o cristão vá para dar o seu testemunho, pode contar com “presença” do Senhor Ressuscitado.

 

Aos nossos irmãos catecúmenos, queremos testemunhar-lhes a alegria da sua decisão de caminhada de preparação para a sua pertença à Família dos Filhos de Deus. Quando se começa, importa salientar o que o Papa Francisco tanto referenciou como início da experiência da Fé: o encontro com Cristo.

O encontro com Senhor Ressuscitado, é decisivo para a nossa alegria e para o nosso empenho na renovação da vida pessoal, no interesse pela Família, pela Igreja, pela sociedade e pela “casa comum”, este mundo em que habitamos que precisa de ser defendido. Os catecúmenos devem saber também que a alma ou segredo invisível de tudo o que está e vai acontecer chama-se Espírito Santo; é o grande dom do Senhor Ressuscitado que vos consagra e vos habilita a pôr em prática com alegria o mandamento novo do Amor e a cultivar uma vida em virtudes humanas e cristãs. Deus vos conceda essa graça em abundância.

Como se canta no Precónio Pascal, os anjos e toda a terra, todos são convidados a exultar em alegria, porque Cristo agora vive glorioso e faz-nos participantes da sua Luz e da sua Paz.

Unamo-nos então ao Céu em oração; é esse o sentido das Ladainhas que vamos rezar, dos sacramentos que vamos celebrar e da renovação das promessas do Batismo que faremos na alegria do dom de Deus!

D. José Traquina, bispo de Santarém

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