Iniciativa da Fundação Fé e Cooperação e o Instituto Marquês de Valle Flôr , em Lisboa 

Foto: Agência ECCLESIA

Lisboa, 29 jun 2018 (Ecclesia) –  A Fundação Fé e Cooperação (FEC) e o Instituto Marquês de Valle Flôr estão a promover hoje o seminário ‘Reflexão e Ação para o Desenvolvimento Global’, até às 18h00, na Fundação Cidade de Lisboa.

“Porque necessitamos de garantir processos de Desenvolvimento coerentes, transformadores e mobilizadores?”, foi a pergunta que abriu o encontro.

A diretora-executiva da FEC realçou que o tema das coerências e desenvolvimento “não é fácil” e é preciso a “ajuda dos cidadãos”, uma vez que, “quando se apropriam é que se pode pedir aos dirigentes, aos políticos, coerência de todas as políticas”.

Susana Réfega considera que coerência é uma “palavra ausente do discurso político”, mas também “do dia a dia das sociedades”, está nos documentos e não passa para os discursos e ainda menos para as práticas.

“Há quem diga que coerências e apolítica são antónimos”, observou.

“Queremos acreditar que transformação social é possível”, realçou a diretora executiva da FEC que com o seminário pretende que com conhecimento, análise e diálogo leve “à ação de cidadãos e decisores”

“Precisamos que a sociedade civil, através de redes internacionais, e plataformas nacionais possam ser voz de organizações e cidadãos e coloquem o tema na agenda política e mediática”, desenvolveu Susana Réfega, assinalando que é preciso conhecer as boas práticas.

O vice-presidente do Instituto Camões salientou que “é mais notória e urgente mais coerência e políticas” que ajudem os países em desenvolvimento, sendo preciso uma “resposta global a desafios que mais interligados”.

Gonçalo Teles Gomes sublinhou que as políticas têm de ser coerentes, não podem pretender acabar apenas com a pobreza, sendo necessário “mitigar conflitos de interesse”.

Os temas discutidos no seminário, realçou, tem um “profundo impacto” nos países em desenvolvimento e “preciso alinhar políticas internas e externas, aumentar sinergias em áreas políticas distintas”.

Para o vice-presidente do Instituto Camões o elemento chave da coerência em política desenvolvimento “tem de ser visto como investimento e não despesa”, por isso, sublinhou que é “necessária maior integração das políticas publicas no desenvolvimento”.

Foto: Guto/Amago

Já Jorge Moreira da Silva, diretor da Cooperação para o Desenvolvimento – OCDE, destacou que é necessário garantir processos de Desenvolvimento coerentes, transformadores e mobilizadores por três, de “natureza institucional, financeira e mais prospetiva”.

Neste contexto, e por ordem de ideias, referiu que a agenda 2030 “não pode ser analisada de forma fragmentada”, e é preciso “inovação e transformação”, depois identificou que têm de “aumentar a ajuda pública ao desenvolvimento”.

Jorge Moreira da Silva realçou que o “mundo não estático”, por isso, têm de olhar “a agenda 2030 de forma dinâmica, não se pode limitar o que nas negociações até 2015 se identificou”.

Neste contexto, identificou “elementos fundamentais para concretizar agenda 2030”, como: Aumentar financiamento ao desenvolvimento; Inovação e transformação, “são precisas reformas”; envolver os cidadãos para terem “noção que transformação é inevitável”.

Na base do seminário está a necessidade de uma abordagem integrada dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): “Transversal às áreas consideradas prioritárias pela União Europeia – migrações, alterações climáticas, segurança e soberania alimentar.”

A FEC está a mobilizar os participantes a assinar uma petição para instituir um Dia Nacional do Desenvolvimento, que vai ser entregue na Assembleia da República, e a manifestarem “qual vai ser o seu papel” no desenvolvimento, numa frase, palavra, num mural com todos os participantes.

O programa ao longo do dia prevê diversos painéis com múltiplos oradores: “Segurança e Desenvolvimento”; “Soberania Alimentar e Desenvolvimento”; “Migrações e Desenvolvimento”; “Alterações Climáticas e Desenvolvimento” e o encontro termina com “a importância do Desenvolvimento Global na construção de um mundo mais justo, mais inclusivo, mais digno e mais sustentável”

CB/OC

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