D. Alexis Shirahama saúda aproximação entre o Vaticano e Pequim

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 12 out 2018 (Ecclesia) – O bispo da diocese japonesa de Hiroxima, D. Alexis Shirahama, elogiou hoje na Cova da Iria a atenção que o Papa Francisco e o Santuário de Fátima têm dedicado à Igreja Católica na Ásia.

Para este responsável, gestos como o convite para presidir à peregrinação internacional de 12 e 13 de outubro, que lhe foi dirigido pelo cardeal D. António Marto, são “muito importantes”, sobretudo para uma “pequena Igreja” como a japonesa

O prelado nipónico saudou ainda a intenção manifestada pelo Papa de visitar o Japão, em 2019, e a aproximação entre o regime chinês e o Vaticano.

“É muito importante também para nós, porque a Igreja Católica na China é uma comunidade muito grande”, precisou.

D. Alexis Shirahama refere também a importância da encíclica ‘Laudato si’, do Papa Francisco, com a sua mensagem de defesa da natureza, explicando que teve um grande impacto na Ásia e ajudou a promover a “colaboração” com a sociedade neste campo.

Uma eventual viagem do Papa ao Japão, em 2019, seria a primeira de um pontífice desde 1981, quando João Paulo II visitou o país, e a segunda na história.

Para o bispo de Hiroxima, as marcas deixadas pela II Guerra Mundial e o bombardeamento atómico na cidade geraram a consciência da necessidade de oração e ação pela paz; a Sé de Hiroxima é a Catedral Memorial da Paz Mundial e alberga um museu que evoca a II Guerra Mundial.

A Diocese de Hiroxima tem consciência que deve rezar e trabalhar pela paz no mundo. A mensagem de Fátima, de Nossa Senhora de Fátima, pede orações pela paz no mundo, durante a I Guerra Mundial. Como bispo de Hiroxima, com todos os fiéis, com os leigos, queremos rezar juntos com as pessoas de Fátima, com as pessoas de todo o mundo pela paz”.

D. Alexis Shirahama preside à Peregrinação Internacional Aniversária de outubro, que hoje se inicia, trazendo consigo os registos de mais de 100 mil terços pela paz que se rezaram na sua diocese, desde o Centenário das Aparições.

O bispo japonês mostrou-se “muito feliz” por estar em Fátima, que visita pela primeira vez, confessando-se “muito devoto mariano”.

O responsável recorda, por outro lado, a ligação histórica do Catolicismo português ao Japão.

Os portugueses levaram o Cristianismo ao Japão e estou muito reconhecido aos missionários portugueses”.

Após a expulsão dos missionários portugueses em 1639, o Cristianismo nipónico entrou numa vivência de clandestinidade que se prolongou até à reabertura do império ao Ocidente, na segunda metade do século XIX.

O Santuário de Fátima vai prosseguir em 2019 a sua atenção particular pelas comunidades católicas na Ásia depois de, neste ano, ter convidado para presidir às peregrinações de maio e outubro, respetivamente, o bispo emérito de Hong Kong e o bispo de Hiroxima.

Em setembro, o cardeal D. António Marto anunciou, ao receber a embaixadora das Filipinas em Portugal, que, em maio do próximo ano, a peregrinação internacional vai ser presidida pelo arcebispo de Manila e, em outubro de 2019, pelo arcebispo de Seul.

O Santuário explica os convites com o aumento que se tem verificado, nos últimos anos, do número de peregrinos provenientes da Ásia; só em 2017 passaram pela Cova da Iria cerca de 35 mil peregrinos asiáticos, provenientes de países mais tradicionais como a Coreia do Sul, a Indonésia, e as Filipinas, mas também de novos territórios como a China ou o Vietname.

OC

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