Maria de Cristo Carvalho destaca acompanhamento das crianças na «Casa dos Pequeninos» e apoio aos adultos

Casa dos Pequeninos (Arquivo 2017)

Lisboa, 14 ago 2018 (Ecclesia) – A diretora-geral da Cáritas de São Tomé e Príncipe afirmou que estão a “apostar muito na educação infantil” e na “proteção das crianças”, como é exemplo o projeto ‘Casa dos Pequeninos’, sem descurar a atenção aos adultos.

“As instituições como a Cáritas estão a apostar bastante na educação e dão a sua contribuição para uma atenção mais virada para as crianças”, explicou Maria de Cristo Carvalho, em declarações à Agência ECCLESIA.

Em São Tomé e Príncipe “cerca de 70% da população é jovem”, têm uma “taxa de natalidade bastante alta”, mas a pobreza também é uma realidade e “há necessidade de apostar” na infância para terem um país com “crianças mais protegidas e mais educadas”.

A diretora-geral da Cáritas lusófona explica que “há uma vulnerabilidade no seio da família” e o Serviço de Educação Nacional não consegue “responder a todos os desafios” que a sociedade tem.

Neste contexto, destaca a ‘Casa dos Pequeninos’ que acolhe crianças em situação de risco, “abandonadas pelas famílias”.

O projeto tem uma nova casa, com capacidade para 40 crianças, que foi construída com a ajuda da cooperação portuguesa e inaugurada oficialmente a 3 de agosto, com a presença do ministro do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social de Portugal, José Vieira da Silva.

Foto: Agência Ecclesia
Diretora-geral da Cáritas de São Tomé e Príncipe, Maria de Cristo Carvalho

Maria de Cristo Carvalho destaca que é “um bom equipamento” mas adianta que estão planear desenvolver num polo dedicado a crianças portadoras de deficiência e problemas mentais que “seria a Casa Azul” e nesse projeto estão a trabalhar com a Fundação católica portuguesa Fé e Cooperação – FEC.

“Já temos as crianças no nosso seio mas falta estruturar melhor o espaço de acolhimento, a casa nova não está preparada, há necessidade de criar um polo mais enquadrado, equipar, e ter pessoas mais especializadas”, observa.

A entrevista explica que procuram também formar os familiares para a “educação”, afinal as crianças vão ter de “regressar para as famílias biológicas ou de acolhimento”.

“No caso de uma criança com problemas mentais é preciso encorajar e trabalhar com a família, a tendência é abandonar, rejeitar e a criança ficar relegada à exclusão”, contextualiza.

“É esta mudança de mentalidade que queremos tentar levar para as famílias, fazer saber que é um ser humano, uma criança como qualquer outra”, acrescenta.

A diretora-geral da Cáritas de São Tomé e Príncipe realça também o trabalho que desenvolvem com os adultos, os idosos – “os mais velhos”, e as mulheres, onde existem mães solteiras que, “muitas vezes, têm muitas dificuldades” como na amamentação e recorrem à organização católica, cuja diocese tem um “protocolo” com o projeto ‘Banco de Leite’.

“É uma forma de ajudar as crianças, as mães, as famílias, os idosos. Ajudamos com alimentação, roupa. Essas respostas podiam ser mais significativas mas falta mobilizar mais apoios, recursos para contribuir melhor”, desenvolve a economista.

A Igreja Católica em Portugal está a promover a Semana Nacional das Migrações 2018, até 19 de agosto, com o tema ‘Cada forasteiro é ocasião de encontro – Migrantes e refugiados no caminho para Cristo’.

Para a diretora-geral da Cáritas de São Tomé e Príncipe “é muito importante” promover esta semana uma vez que “a migração não é fácil, e os tempos não estão fáceis”, e as pessoas saem dos seus países “à procura de melhores condições de vida, de trabalho”.

Na sua página, na rede social Facebook, a Caritas de São Tomé e Príncipe informa que foi constituída em maio de 1983, e faz parte da confederação da Caritas Internacionalis, da Caritas África e do Fórum das Caritas Lusófona.

CB

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