D. Óscar Braga e D. Francisco da Mata Mourisca evocam papel da Igreja na luta pela paz

D. Óscar Braga

Luanda, 17 nov 2018 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) celebrados 50 anos, este domingo, e os bispos eméritos de Benguela e Uíje e o bispo de São Tomé destacam o papel da Igreja na luta pela independência e pela paz.

O bispo emérito de Benguela, D. Óscar Braga, recorda a importância que a Igreja Católica teve na altura da independência de Angola.

“Teve uma importância muito grande, pois foi o começar a poder expor à Santa Sé a nossa situação, ver melhor como era este povo e as suas as necessidades, e a CEAST nasceu antes da independência de Angola”, recorda, em declarações à Agência ECCLESIA.

D. Óscar Braga, de 87 anos lembra ainda que a “Igreja tinha um grande predomínio e influenciava bastante” o que ajudou à independência do próprio país.

Depois da independência de Angola, a Igreja foi necessária para o trabalho de reconciliação.

“A Igreja teve sempre uma força muito grande de apaziguar,e nos primeiros meses da independência eram muitos os grupos. As divisões do país também se sentiam na CEAST mas sempre apoiámos todos, já tínhamos bispos tão angolanos como nós, faziam cada um a sua vida e estimavam o povo, a CEAST sempre foi a puxar a independência e era um direito que tínhamos de apoiar”, refere o bispo emérito de Benguela.

Nestes 50 anos de existência da CEAST, D. Óscar Braga afirma que o papel da Igreja continua o mesmo, “com a doutrina de ajudar, lutar pelos direitos e felicidade de cada um, bem e prosperidade”.  

“Trata-se de um momento para refletir, ver que podem haver coisas que não foram tão boas, somos humanos, temos defeitos e melhorar qualquer coisa que demos conta; é um momento de reflexão mais profunda”, aponta.

Já D. Francisco de Mata Mourista, bispo emérito do Uíje, recorda que a CEAST desempenhou um “trabalho digno de nota”, principalmente durante a guerra, com as “suas observações e apelos à paz”.

D. Francisco de Mata Mourisca

Com os seus 90 anos diz ainda que gostava de ver escrita a História da CEAST, “a história não está feita e vale a pena… espero que apareça algum escritor que a escreva”.

D. Francisco de Mata Mourisca recorda ainda os “tempos amargos” e a resiliência da Igreja.

“Tempos amargos e a CEASt suportou, defendeu os fiéis, foram tempo difíceis com o marxismo, mas a Igreja desempenhou o cargo de defesa dos cristãos, apelando à paz, ajudando o povo a viver santamente. À Igreja não lhe compete tratar das independências mas compete ver como se vive depois, levou o povo angolano a viver a independência de forma justa e digna, respeitando os direitos humanos e a fé cristã”, refere o bispo emérito de Uíje.

Para D. Francisco de Mata Mourisca, há desafios atuais que esperam resposta por parte da Igreja.

“50 anos é tempo para um agradecimento a Deus. Deus espera de nós, começar todos os dias, porque há coisas que não acabam e temos de estar preparados para ir ao encontro dos desafios que não acabam”, acrescenta.

Já D. Manuel António dos Santos, bispo de São Tomé, sente-se “bem acolhido” pelos irmãos de Angola, numa “fraternidade e comunhão muito grande”, apesar das realidades diferentes dos países, e um apoio para o bispo “partilhar a vida e missão com outros bispos”.

D. Óscar Braga com D. Manuel António

Nos 50 anos da CEAST, o bispo de São Tomé sente “um momento de viragem na história”.

“Num tempo em que a pessoa se centra em si mesma, há a cultura do egocentrismo e das receitas fáceis, as pessoas andam inquietas e sem projetos de futuro. É importante que a Igreja continue a celebrar a História e 50 anos são para recordar e celebrar e a partir daí continuar o caminho de anúncio da mensagem cristã, não centrando em nós mesmos mas indo ao encontro dos outros”, sustenta.

A Conferência Episcopal, que reúne os bispos de Angola e São Tomé (Festa) foi criada em 1967, anteriormente incluía também Moçambique. A independência de Portugal, em 1975, marcou um novo capítulo também na história da Igreja em Angola e São Tomé, com a ereção de novas dioceses e a consolidação de comunidades católicas.

Atualmente, Angola tem 5 Províncias Eclesiásticas, com 5 Arquidioceses e 14 Dioceses sufragâneas, enquanto São Tomé tem apenas uma Diocese.

PR/SN

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