Cidade do Vaticano, 03 jul 2018 (Ecclesia) – Os lugares do cristianismo “escondido” no Japão foram declarados património da humanidade, numa decisão tomada pelo Comité da UNESCO.

“Entram na lista da agência da ONU doze locais em Nagasáqui e na região de Amakusa, lugares símbolo da perseguição perpetrada contra os cristãos durante o período Edo (1603-1867)”, assinala o portal de notícias do Vaticano, que dá conta da decisão.

A lista do património protegido pela Unesco integra ainda o que resta do Castelo Hara – um dos cenários da revolta “Shimabara-Amakusa” (1637) dos católicos – e a aldeia de Sakitsu, onde os cristãos continuaram a praticar a sua fé em segredo.

O novo cardeal Thomas Aquino Manyo Maeda declarou ao ‘Japan Times’ que o reconhecimento permitirá às pessoas redescobrir a história do cristianismo no Japão, “sintetizado” no perdão e na compreensão.

O Japão foi evangelizado pelo jesuíta São Francisco Xavier, entre 1549 e 1552, a pedido da Coroa Portuguesa, mas poucas décadas depois comunidade católica vivia uma dura perseguição: os primeiros mártires, encabeçados por São Paulo Miki (crucificados em Nagasáqui em 1597), entre os quais o português São Gonçalo Garcia, foram canonizados em 1862 por Pio IX.

Outros 205 católicos foram beatificados em 1867, entre eles João Baptista Machado, Ambrósio Fernandes, Francisco Pacheco, Diogo de Carvalho e Miguel de Carvalho (todos da Companhia de Jesus), Vicente de Carvalho (religioso agostinho), e Domingos Jorge (leigo, cuja esposa japonesa e filho também foram martirizados).

Os católicos que sobreviveram à perseguição tiveram de ocultar-se durante 250 anos, até à chegada de missionários europeus no século XIX.

OC

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