Patriarca emérito de Lisboa recordou o debate sobre a criação de uma diocese autónoma na zona Oeste do Patriarcado de Lisboa

Aveiro, 11 out 2013 (Ecclesia) – D. José Policarpo disse hoje que D. António Marcelino é “um pouco parecido” com o Papa Francisco por não se “esconder” nas estruturas e recordou a sua “intuição” de criar uma diocese autónoma na zona Oeste do Patriarcado.

D. António Marcelino é “um pouco parecido com este Papa atual” por “não se esconder atrás da organização e das estruturas e ir para a frente do povo de Deus”, afirmou o patriarca emérito de Lisboa, em Aveiro, à Agência ECCLESIA.

D. José Policarpo participou no funeral de D. António Marcelino, falecido esta quarta-feira aos 83 anos de idade, que decorreu hoje na Sé de Aveiro, seguindo depois o cortejo fúnebre para o cemitério central da cidade.

“Não era um homem para se esconde por trás de burocracias ou de estruturas”, mas “gostava imenso de ir para o diálogo, para a vida”, refere D. José Policarpo recordando os anos em que D. António Marcelino foi bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, entre 1975 e 1980.

“No Patriarcado até deu um bocado nas vistas porque os padres não estavam habituados a ele aparecer de surpresa numa paróquia para celebrar a missa de domingo, por exemplo”, referiu o cardeal de Lisboa.

D. José Policarpo referiu-se ainda ao debate em torno da criação de uma diocese na zona Oeste do Patriarcado de Lisboa como uma “intuição” de D. António Marcelino que não teve continuidade.

“Ele apostou muito na criação de uma diocese no Oeste. E isso, tanto nas populações locais como na estrutura geral da diocese, era uma aposta que tinha pouca viabilidade”, disse D. José Policarpo.

Acácio Catarino, natural da Benedita, participou nesse debate e recordou hoje a “questão muito delicada” que se colocou na altura: “Criar-se ou não uma diocese autónoma para o Oeste”.

“D. António Marcelino, juntamente com várias pessoas fizeram uma reflexão em profundidade e chegaram à conclusão de que o Oeste tem uma identidade própria, mas para todos os efeitos é recomendável que se integre na diocese de Lisboa”, disse à Agência ECCLESIA.

Acácio Catarino, antigo presidente da Cáritas Portuguesa, referiu também que D. António Marcelino “conseguia estar em todo o lado”, deslocando-se para “todas as paróquias com uma facilidade espantosa”, e tinha uma grande ligação aos “organismos agrários da Ação Católica”, conseguindo “reativá-la” quando foi bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa.

Natural de Castelo Branco, onde nasceu a 21 de setembro de 1930, D. António Marcelino foi ordenado padre em 1955, bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa em 1975, coadjutor de Aveiro em 1980 e residencial na mesma diocese a 20 de janeiro de 1988, onde permaneceu até 21 de setembro de 2006, quando foi substituído por D. António Francisco dos Santos.

PR

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