O acolhimento de divorciados recasados, as manifestações litúrgicas e a intervenção social da Igreja Católica em análise pelo bispo do Porto

Lisboa, 14 abr 2018 (Ecclesia) – O bispo do Porto disse à Agência ECCLESIA que “não há oposição” no episcopado português, onde cada um procura os “melhores caminhos” para concretizar as propostas do Papa Francisco e rejeita pessimismos em relação ao Concílio Vaticano II.

“Estamos todos à procura de caminhos, mas a meta é a mesma. Não há oposição entre os bispos, em Portugal. Nenhuma!”, afirmou D. Manuel Linda em entrevista realizada por ocasião do início do seu ministério episcopal na Diocese do Porto.

O bispo do Porto defende que, em Portugal, nenhum bispo “está em oposição ao Papa”, pelo menos tendo-o “declarado publicamente”, antes a “fazer exatamente” o que Francisco pede, nomeadamente no que diz respeito ao acolhimento de divordiados recasados.

D. Manuel Linda defende que o Papa iniciou um processo que tem “milhentos caminhos possíveis” e cada diocese está à “procura dos melhores caminhos para chegar à mesma meta”.

No que diz respeito ao acesso aos sacramentos por divorciados em segunda união, D. Manuel Linda afirma que, na Diocese do Porto, tal não vai acontecer “por decreto do bispo”, mas depois de um “trabalho sinodal”

“O objetivo é sempre a integração de todos”, sublinhou.

O bispo do Porto referiu-se também a quem considera que o Concílio Vaticano II “gerou mal para a Igreja”, diz que são “verdadeiras franjas” entre os crentes, com manifestações sobretudo na liturgia, a que correspondem convicções doutrinais e teológicas.

“A liturgia é expressão de uma teologia. Quando a pessoa tem atitudes extremas a nível da liturgia, é porque há uma determinada perceção a nível da teologia, situando-se apenas num núcleo, desprezando todos os outros e, muito mais, o núcleo de abertura ao mundo”, adiantou D. Manuel Linda.

Desafiado a analisar o impacto das posições das lideranças católicas na opinião pública, o bispo do Porto referiu não há um “deficit de intervenção social”, e defende que “há muita pregação, extraordinária, digna de antologia que não passa para a sociedade ou porque a comunicação social”.

“Não podemos ser apenas uns agitadores sociais, não podemos pregar só para fora. A nossa pregação tem de começar na formação da fé, no interior da Igreja. Toda a atitude ética deriva daí: primeiro a fé e depois o que deriva dos comportamentos”.

D. Manuel Linda, até agora responsável pelo Ordinariato Castrense, foi nomeado bispo do Porto pelo Papa Francisco, no último dia 15 de março, para suceder a D. António Francisco dos Santos, falecido a 11 de setembro de 2017.

A entrada solene na diocese nortenha acontece este domingo, pelas 16h00, no dia em que D. Manuel Linda completa 62 anos de idade.

A entrevista a D. Manuel Linda é emitida no programa 70×7 deste domingo, às 13h40 na RTP”, e está publicada integralmente na edição especial publicada pela Agência ECCLESIA em www.agencia.ecclesia.pt/bispodoporto.

PR

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