Sacerdote celebrou 50 anos de ordenação presbiteral dedicados à Diocese de Setúbal

Setúbal, 09 ago 2018 (Ecclesia) – O padre José Lobato, vigário-geral da Diocese de Setúbal, celebrou 50 anos de sacerdócio vividos em ambiente do Concilio Vaticano II e na península sadina desde 1968, quando ainda região pastoral de Lisboa, e colaborou com os três bispos.

“Pertenço a uma geração de padres que se formou a coscuvilhar o Concílio, íamos tendo os textos, publicados pelo Apostolado de Oração de Braga, em que numa página vinha o texto oficial em latim e ao lado em português”, disse o sacerdote em entrevista à Agência ECCLESIA.

O padre José Lobato viveu seis anos no Seminário dos Olivais para onde entrou “quase no dia em que começou o concílio”; os seminaristas começaram a estudar e “a comparar a Teologia” dos manuais com os textos do Concílio Vaticano II, sobre a Liturgia, a Igreja, “um momento único”.

No exercício da memória, o entrevistado recorda que os professores “sempre convenceram” que a sua orientação de vida seria a formação, “ir para Roma estudar”, mas isso não aconteceu e nunca se sentiu “aborrecido, diminuído, desvalorizado”.

“Todas as situações que fui vivendo foram sempre grandiosas, boas, gratificantes. Nunca fui aquilo que me levaram a crer que podia ser, mas sou tão feliz ou mais como se tivesse”, desenvolveu.

Na homilia da Missa comemorativa das bodas de ouro sacerdotais citou ‘O Mostrengo’, do poeta Fernando Pessoa: «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que é teu».

“É assim que me sinto, o que é importante é que esteja ao serviço. O leme não é meu, o barco não é meu, a rota não fui que a tracei”, sublinhou.

“Agradeço a Deus que os 50 anos fossem estes”, afirma ainda, sobre a vivência do Concílio e do serviço à Igreja onde ajuda a construir a Diocese de Setúbal.

Em outubro de 1968, o padre José Lobato mudou-se para a margem sul do rio Tejo para ser vigário paroquial do Montijo e de Sarilhos Grandes, ainda a comunidade católica era uma região pastoral do Patriarcado de Lisboa.

Nessa altura, o cónego João Alves (futuro bispo de Coimbra) foi nomeado vigário-episcopal da região, onde foi “criando muitas estruturas humanas”, e, em 1969, chamou o jovem sacerdote para a cidade de “Setúbal”, onde ficou “até hoje”.

“Toda esta preparação da futura Diocese de Setúbal teve essa riqueza de ver como é que se cresce, como é que se constrói e a preocupação foi formar pessoas”, sublinha.

O sacerdote recorda a também a preocupação do então vigário-episcopal na formação do clero, e dos agentes pastorais, “na linha do Concílio” ao convidar pessoas “especializadas em diferentes áreas” para falar do que “significava do ponto de vista teológico e pastoral”.

Houve também uma “clara preocupação pela ação social”, na “perspetiva nova, não apenas de distribuir alguns bens mas formar”, e o padre José Lobato, por exemplo, participou “numa alfabetização de adultos”.

Um tempo rico e extraordinário, mas difícil” que a Igreja Católica vivia com a “fase de implementação do Concílio Vaticano II” e, em Portugal, com a Revolução de 25 de abril de 1974.

“O Concílio significou uma revolução dentro a própria Igreja e nascer uma diocese neste contexto, acrescentando esse outro foram tempos difíceis”, frisou.

A diocese foi criada a 16 de julho de 1975, pela bula ‘Studentes Nos’ do Papa Paulo VI, e teve como primeiro bispo D. Manuel Martins, até 1998.

As bodas de ouro de ordenação sacerdotal do padre José Lobato foram celebradas com uma Eucaristia na Paróquia de São Simão, em Azeitão, no dia 29 de julho.

HM/CB/OC

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