Vice-reitor, padre Vítor Coutinho, realçou que santuário deve «dar a conhecer os acontecimentos fundantes»

Fotografias de estúdio da Imagem de Nossa Senhora de Fátima

Fátima, 10 jul 2018 (Ecclesia) – O historiador Rui Ramos afirmou hoje que Fátima faz “parte do progresso do século XX”, falando no primeiro dia do curso de verão que termina esta quinta-feira.

“A simplificação tornou as coisas mais difíceis de compreender. Neste sentido, a nossa análise deve também ser mais complexa e olhar, com mais atenção, para a forma como as pessoas se relacionavam umas com as outras”, disse o historiador, doutorado em Ciência Política.

Na primeira aula do curso de verão do santuário, Rui Ramos realçou que “Fátima é, desde o início, um acontecimento nacional”.

O investigador do Instituto de Estudos Políticos, da Universidade Católica Portuguesa, explicou Fátima como “lugar de encontro” entre “um novo catolicismo e um novo republicanismo”, ao referir-se à dicotomia Igreja/República ou Catolicismo/Laicismo.

“Fátima corresponde a um novo catolicismo, em rutura com a ‘Igreja de Estado do século XIX’, mais individual, ligado à fé e aos fiéis, e mais ligado à mobilidade das peregrinações e não centrado na tradição eclesiástica e dogmática”, desenvolveu, numa intervenção divulgada pelo Santuário de Fátima.

Neste contexto, considera que do lado da República, com Sidónio Pais, assiste-se “a uma tendência de maior proximidade com a religiosidade popular”.

“Fátima faz parte do próprio progresso, porque foi e é uma maneira das pessoas viverem o novo século XX”, realça Rui Ramos, que defende uma “visão mais segura e crítica do contexto” das Aparições para que sejam alcançadas “novas leituras” do acontecimento.

Com 52 participantes, de 12 áreas do saber científico, o Curso de Verão 2018 tem como tema ‘Fátima: síntese das leituras de um acontecimento centenário’ e termina esta quinta-feira.

Fotografias de estúdio da Imagem de Nossa Senhora de Fátima

Na sessão de abertura, o vice-reitor do santuário afirmou, por sua vez, que “este lugar não pode demitir-se de dar a conhecer os acontecimentos fundantes” e que “não haverá outro” no mundo que “invista tantos recursos no estudo e reflexão”.

O padre Vítor Coutinho destacou que ao santuário “está associada uma mensagem ímpar”, por isso, faz sentido apresentar propostas de estudo para incentivar a investigação e permitir que “Fátima possa ser objeto de estudo”.

A formação é promovida pelo Departamento de Estudos do Santuário de Fátima, cujo diretor a apresenta como uma oportunidade de “mostrar a panorâmica geral de Fátima”, de modo “a incentivar pessoas de vários quadrantes a refletir”.

Marco Daniel Duarte realça que a variedade de participantes “sublinha o desafio e riqueza inerentes” à formação e pode resultar numa importante “troca de experiências e partilha de saberes”.

CB/OC

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