Texto da Congregação para a Doutrina da Fé e do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral

Cidade do Vaticano, 14 mai 2018 (Ecclesia) – O Vaticano vai apresentar esta quinta-feira um novo documento questões éticas ligadas ao “atual sistema económico-financeiro”, um texto conjunto da Congregação para a Doutrina da Fé e do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

A sala de imprensa da Santa Sé informou hoje que o documento ‘Oeconomicae et pecuniariae quaestiones’ (questões económicas e financeiras) vai ser apresentado em conferência de imprensa pelo cardeal Peter Turkson e D. Luis Ladaria Ferrer, dois dos mais diretos colaboradores do Papa.

Na reforma que tem promovido na Cúria Romana, Francisco criou em 2016 o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

O atual Papa tem deixado várias críticas à excessiva atenção dada à banca, pelos responsáveis internacionais, mais preocupados, segundo o pontífice, em “salvar os bancos” do que em salvar “a dignidade dos homens e mulheres de hoje”.

No seu vídeo mensal, em abril deste ano, o Papa convidou os católicos a rezar para que os responsáveis pelo planeamento e gestão da Economia “tenham a coragem de rejeitar uma economia de exclusão e saibam abrir novos caminhos”.

Francisco reitera o que escreveu na Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’ contra uma ‘Economia da Exclusão’.

“Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata”, pode ler-se no documento programático do atual pontificado.

Mais recentemente, no prefácio do livro ‘Poder e Dinheiro’, lançado na Itália, o Papa considerou urgente uma maior equidade na distribuição da riqueza e denunciou o “paradoxo” de um sistema financeiro que beneficia alguns, enquanto milhões de pessoas vivem na pobreza.

“Uma economia global que poderia alimentar, curar e dar habitação a toda a população da Terra, mas que em vez disso – como um conjunto de estatísticas preocupantes mostram – concentra essa riqueza nas mãos de um grupo restrito de pessoas”.

Já na sua nova exortação apostólica, ‘Gaudete et Exsultate’, o pontífice pede uma maior atenção aos mais necessitados e à justiça social na vida dos católicos, que desafia a “reconhecer Jesus nos pobres e atribulados”.

“Não podemos propor-nos um ideal de santidade que ignore a injustiça deste mundo, onde alguns festejam, gastam folgadamente e reduzem a sua vida às novidades do consumo, ao mesmo tempo que outros se limitam a olhar de fora enquanto a sua vida passa e termina miseravelmente”, assinala, no texto dedicado à santidade no mundo contemporâneo.

OC

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