Francisco pediu aos jovens que promovam cultura do «encontro»

Palermo, Itália, 15 set 2018 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje a sua visita à ilha italiana da Sicília, após homenagens ao padre Pino Puglisi e ao juiz Giovanni Falcone, assassinados pela Mafia nos anos 90 do último século.

Esta tarde, Francisco rezou em silêncio, por alguns minutos, diante do medalhão de bronze plantado no solo que assinala o local exato do assassinato do sacerdote, no dia 15 de setembro de 1993, a mando da Mafia siciliana.

Acompanhado pelo arcebispo de Palermo, D. Corrado Lorefice, o Papa dirigiu-se então à casa-museu dedicada ao Beato Pino Puglisi, reconhecido como mártir pela Igreja Católica; à entrada, aguardavam os dois irmãos do sacerdote, Gaetano e Franco Puglisi, com outros familiares.

Já a caminho do aeroporto de Palermo, para regressar ao Vaticano, o Papa Francisco fez uma paragem não prevista no programa oficial, no local onde ocorreu o atentado que matou em 1992 o juiz italiano Giovanni Falcone, que lutava contra Mafia siciliana.

O último encontro público tinha decorrido perante milhares de jovens reunidos em Palermo, na Praça Politeama.

Francisco elogiou a identidade siciliana como “centro de encontro de tantas culturas”, num mundo marcado pelo confronto e a incompreensão, desejando que os jovens sejam capazes de gerar uma “civilização nova, fraterna, acolhedora”.

“Não é uma bela tradição cultural, é uma mensagem de fé, porque a fé se funda no encontro. Deus não nos deixa sós”, precisou.

Horas depois de ter pedido aos mafiosos que se arrependam, o Papa levou aos mais jovens alertas contra o individualismo, defendendo que só haverá futuro se todos estiverem “juntos”, num tempo em que muitos se sentem “isolados, distantes”.

“As redes mais velozes não chegam: para partilhar, não basta publicar um post nas redes sociais. São precisas redes reais, não virtuais”, declarou.

O Papa apresentou “dois pilares” para a dignidade humana, “a casa e o trabalho”.

“Temos necessidade de homens e mulheres de verdade, que denunciem os malfeitores e a exploração – não tenhais medo de denunciar, de gritar -, que vivam relações livres e libertadoras, que amem os mais fracos e sejam apaixonados pela legalidade, espelho de honestidade interior”

O pontífice pediu jovens a caminho, “não reformados”, capazes de ser idealistas.

“É melhor ser Dom Quixote do que Sancho Pança”, gracejou.

Antes da bênção, e já após ter explicado que falou sentado por causa do inchaço nos tornozelos, Francisco dirigiu-se a todos os presentes “de outras tradições religiosas ou agnósticos”, pedindo que “Deus abençoe sempre a semente da inquietação” que levam no coração.

“Senhor Deus, olha para estes jovens: conheces cada um deles, sabes o que pensam, sabes que têm vontade de avançar, de fazer um mundo melhor. Senhor, fazei-os buscadores do bem e da felicidade”, disse.

Como noutros encontros do género, o Papa passou algum tempo a cumprimentar jovens, que lhe pediram várias “selfies” e lhe deixaram mensagens e presentes.

OC

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