Inquérito promovido na Área Metropolitana de Lisboa realça que 91 por cento dos crentes nunca sentiu discriminação

Lisboa, 06 dez 2018 (Ecclesia) – O estudo mais recente da Universidade Católica Portuguesa, relacionado com a prática religiosa, reforçou a condição de Portugal como um exemplo de liberdade e de tolerância no panorama atual da Europa e do mundo.

Em causa está um trabalho do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião, que teve como base um inquérito feito numa das zonas mais populosas do país, a Área Metropolitana de Lisboa.

Dentro da amostra que foi recolhida, que compreende “1180 inquéritos válidos” feitos a residentes desta zona com idade igual ou superior a 15 anos, 91 por cento das pessoas declararam “nunca ter sofrido qualquer tipo de discriminação baseada na sua posição religiosa”.

“Entre os poucos que identificaram a vivência de situações de discriminação, o dado mais relevante passa pelo facto de isso ter sucedido, com maior incidência, junto das suas esferas de sociabilidade mais íntimas, ou seja, os amigos e os familiares”, refere o mesmo trabalho.

Promovido pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião, da UCP, com o apoio da Fundação Manuel dos Santos, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e do Patriarcado de Lisboa, o referido projeto descreve a região da Área Metropolitana de Lisboa como um “laboratório da diversidade religiosa em Portugal”.

Das pessoas que foram inquiridas, 32,4 por cento são naturais da Área Metropolitana de Lisboa, 52,4 por cento é proveniente de outros concelhos do país, e 15 por cento tem nacionalidade estrangeira.

O inquérito permitiu verificar que 64 por cento das pessoas estão ligadas a uma religião, 54,9 por cento das quais à religião católica.

No entanto, apesar de a comunidade católica continuar a ser maioritária, o estudo realça que “o peso relativo dos indivíduos que declaram não pertencer a nenhuma religião é cada vez mais significativo, situando-se em quase 35 por cento”.

Outra conclusão diz respeito ao aumento de crentes em outras confissões, como a religião evangélica (5 por cento) ou a budista (0,7 por cento) que já é quase equivalente à muçulmana (0,8 por cento).

Em termos de prática ou de culto, este projeto do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião também indicia o enfraquecimento da ligação dos católicos à fé, em comparação com outras confissões.

O documento aponta por exemplo para “um contraste sintomático entre católicos e evangélicos”.

“Enquanto 81 por cento dos evangélicos dizem orar todos os dias, no universo dos católicos apenas 35,8 por cento dizem fazê-lo diariamente”, pode ler-se.

Nas conclusões, o estudo ‘Identidades Religiosas na Área Metropolitana de Lisboa’ reforça “a diminuição da maioria histórica dos católicos” nesta região, “a progressão dos sem religião e a estabilização, em termos gerais, do conjunto das chamadas minorias religiosas”.

Os autores deste trabalho deixam ainda um dado que apela à forma como a Igreja Católica tem ou está a trabalhar na área da educação e, posteriormente, no acompanhamento e dinamização das comunidades católicas.

Apesar de “a maior parte da população inquirida ter conhecido na infância, quer na escola, quer na família, algum tipo de socialização religiosa”, da parte das famílias, dos pais por exemplo, “isso não garante a reprodução das posições religiosas”.

Isso é visível, no estudo, a partir da situação de pessoas que “conheceram uma ascendência católica”, mas que hoje estão ligadas a outras crenças e grupos religiosos, como “as Testemunhas de Jeová e os evangélicos / protestantes”, ou estão mesmo “sem religião”.

JCP

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