Lisboa, 01 mar 2018 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre divulga que a União Europeia (UE) informou o Paquistão que a renovação do acordo comercial pode depender da libertação de Asia Bibi, uma cristã condena à morte por blasfémia.

O enviado especial da União Europeia para a promoção da liberdade religiosa, Ján Figel, fez saber ao Governo de Islamabad que a renovação dos acordos comerciais está dependente da forma como a justiça paquistanesa vai atuar.

Asia Bibi foi condenado à morte e está na prisão desde 2009, por ter alegadamente insultado o profesta Maomé, à luz da “lei da blasfémia”, implementada no Paquistão.

A AIS contextualiza que o Paquistão tem, atualmente, um estatuto que dá direito a um sistema generalizado de preferências para as trocas comerciais com a UE que, na prática, se traduz na isenção de direitos (duty-free) no acesso ao mercado comunitário.

Segundo a fundação pontifícia a posição da União Europeia acontece depois do Departamento de Estado, dos Estados Unidos da América, terem incluído o Paquistão na lista de países “em observação especial por causa das graves violações à liberdade religiosa”, onde estão, por exemplo, China, Eritreia, Irão, Coreia do Norte, Sudão, Turquemenistão e Uzbequistão.

“Não quero dizer que é bom ou não. Depende de como a pressão foi avaliada. Não acho que seja contra os Cristãos. Quando os EUA colocaram aquela condição ou puseram o Paquistão naquela lista, talvez tivessem alguma razão, talvez tenham estudado algo”, disse o arcebispo de Lahore, D. Sebastian Shaw, na sua recente passagem por Portugal.

Ján Figel é um político eslovaco de 58 anos que pertence ao Movimento Democrata Cristão e manifestou apoio à jornada de oração e de sensibilização pelos cristãos perseguidos no mundo que a fundação pontifícia realizou no sábado.

“Infelizmente os meios de comunicação social e os políticos não prestam a atenção suficiente a esta situação. Este silêncio e indiferença só podem ajudar aqueles que cometem esses crimes e discriminam ainda mais as vítimas”, disse o enviado especial da União Europeia para a promoção da liberdade religiosa.

A iniciativa mundial da AIS foi assinalada também em Portugal no Cristo Rei, em Almada, e na Basílica dos Congregados, em Braga, que ficaram “pintados” de vermelho numa analogia ao sangue dos perseguidos.

Já no Vaticano, o Papa Francisco recebeu em audiência privada o marido e uma das filhas de Asia Bibi, a cristã condenada à morte por blasfémia e que em 2017 esteve nomeada para receber o Prémio Sakharov para a liberdade de pensamento, da União Europeia.

CB

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