Paulo Rocha, Agência Ecclesia

As instituições surgem no debate público com frequentes marcas de fragilidade diante da valorização progressiva de determinadas individualidades, mulheres e homens que se afirmam mais pelo que são e fazem do que pela moldura histórica que possam ocupar. No mundo associativo, nas estruturas religiosas e de forma geral nas hierarquias que continuam a organizar a sociedade, é comum encontrar referências relevantes em torno de personalidades que conquistam espaço nos vários palcos sociais e, por isso, transformam-se em referências das instituições a que estão ligados, mesmo que as intervenções realizadas raramente se distanciem da opinião pessoal e só com esforço possam conquistar outros vínculos.

A procura de uma voz que represente a instituição mostra que a sua propalada fragilidade nem sempre corresponde à realidade, o que ainda mais se verifica quando se escolhem as respetivas lideranças. É assim nos partidos políticos, nas associações representativas dos diferentes setores da sociedade, também o religioso. Basta acompanhar os tempos que antecedem eleições ou nomeações, os jogos de bastidores que o marcam, as tentativas de conquista de votos e o esforço por tornar agradáveis perfis e ideias pessoais.

Assim, as instituições continuam, por um lado, a ser requisitadas como referências essenciais da sociedade e persegue-as a necessidade de oferecer, em cada tempo e em todos os contextos, um contributo relevante para a coisa pública e o bem comum; por outro, as lideranças institucionais encontram no valor da pessoa que as assumem o ambiente indicado para lutar contra a irrelevância a que podem estar sujeitas na organização que representam.

É comum dizer-se que a Europa tem falta de líderes, que escasseiam vozes de comando, com ideias e programas que persigam o bem comum e consigam contagiar grupos, comunidades, países… Um problema que se coloca em todos os setores sociais, também o religioso. E, na salvaguarda do princípio da subsidiariedade, também a este nível, torna-se cada vez mais urgente trabalhar pela relevância das instituições e das suas lideranças, tanto a nível global, como nacional ou local.

No que diz respeito especificamente à Igreja Católica, sabemos e acreditamos que todos os acontecimentos, nomeadamente as escolhas de lideranças, devem ser lidos do fim para o princípio, a partir do dinamismo da ressurreição. De facto, o que acontece não tem nas capacidades e habilidades humanas o fator decisivo, mas na força criadora de Deus, pelo Espírito Santo. Mas essa certeza não dispensa cada um da parte que lhe toca.

Paulo Rocha

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