Miguel Oliveira Panão (Professor Universitário), Blog & Autor

Cruzei-me com esta subtileza. Escuta em inglês escreve-se “listen.” Porém, as mesmas letras, re-arranjadas, resultam em “silent.” Assim, não difícil perceber o que fazer quando se escuta.

Foto de Alireza Attari em Unsplash

Pensemos em pessoas influentes como Donald Trump e Elon Musk que usam o Twitter. O impacte que os seus tweets têm sucumbe a atenção mundial com repercussões que nunca pensaria serem possíveis há dez anos. Pergunto-me, por vezes, como foi que chegámos ao mundo freneticamente digital que hoje temos e como havemos de o sobreviver.

Enquanto lia o livro de Julia Cameron ”The Artist’s Way” encontrei uma resposta.

“a sobrevivência reside na sanidade,
e a sanidade reside em prestar atenção.”

No prestar a atenção encontramos o guia para evitar ser consumido pelo manancial de informação contido na era digital e que começa a afectar a nossa sanidade. Nós criámos o mundo digital, mas o nosso verdadeiro ser permanece no mundo real. É no mundo real que vivemos e gozamos a vida. E questiono quanto é que a era digital afectou já essa qualidade de vida.

”A qualidade de vida está em proporção, sempre, com a capacidade de deliciar. A capacidade para deliciar é o dom de prestar atenção.” (Julia Cameron)

Estamos tão apegados aos nossos pequenos écrans que os detalhes na natureza não nos atraem mais. Se gastarmos mais do que dois minutos a olhar para uma paisagem, ou uma flor, existe uma sensação estranha de estar a perder tempo.

Parece-me que estamos, gradualmente, a perder a capacidade de nos deliciarmos com pequenos e simples momentos de observação porque deixámos de prestar atenção.

Foto de Annelie Turner em Unsplash.com

A internet é um dos consumidores mais vorazes de atenção da história, e nem sequer nos damos conta disso. Aliás, chegamos mesmo a negá-lo enquanto consumimos “toneladas” de informação.

O despontar da nossa criatividade em 2019 passa por recuperarmos a noção atenção e o motivo é simples.

“A recompensa da atenção é sempre a cura.” (Julia Cameron)

E precisamos de experimentar essa cura. Prestar atenção é um acto de conectar, especialmente, conectar com o mundo real. Não com tweets, ou meramente a presença dos outros, mas conectarmo-nos com os seus olhos e mãos.

Conectar é um processo de cura do défice relacional que temos, e a atenção o seu remédio.

Basta um pequeno passo para o ser humano, mas que resulta num salto gigante na cura da humanidade.

O passo da escuta (”listen”) no silêncio (”silent”).

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