Francisco sublinha importância da «pertença a um povo»

Vilnius, 22 set 2018 (Ecclesia) – O Papa desafiou hoje os jovens a ser capazes de avançar “contracorrente”, perante uma cultura individualista que propõe uma “vida diante do espelho”.

“Reafirmemos que aquilo que acontece ao outro, acontece-me a mim; vamos contracorrente relativamente a este individualismo que isola, que nos torna egocêntricos e vaidosos, preocupados apenas com a imagem e o próprio bem-estar”, disse, num encontro diante da Catedral de Vilnius, que reuniu milhares de jovens.

Após ouvir testemunhos de dois jovens que tiveram de superar momentos difíceis na vida, com a ajuda da comunidade, Francisco sublinhou que importante rejeitar a ideia de que “é melhor caminhar sozinhos”.

“Sozinhos não se consegue chegar ao fim”, acrescentou, numa intervenção em italiano que foi traduzida para a multidão.

O Papa, que fez várias referências à realidade lituana, pediu aos jovens que não escolham um caminho “sem amor, sem companhia, sem pertença a um povo”, sem a experiência de “arriscar em conjunto”.

“Não se pode avançar sozinhos: não cedais à tentação de vos concentrar em vós próprios, olhando para a própria barriga, a tentação de vos tornardes egoístas ou superficiais perante a dor, as dificuldades ou o sucesso passageiro”, declarou.

Francisco recomendou gestos de “ternura”, evocando as vítimas “da depressão, do álcool e das drogas”.

O perigo maior é confundir o caminho com um labirinto: girar sem sentido pela vida, rodar sobre si mesmo, sem seguir a estrada que faz avançar. Por favor, não sejais jovens do labirinto, donde é difícil sair, mas jovens a caminho”.

A intervenção deixou um convite a todos os jovens, para que abracem a “causa” de Jesus Cristo, do Evangelho.

“Queridos jovens, vale a pena seguir Cristo, vale a pena. Não tenhamos medo de participar na revolução a que Ele nos convida, a revolução da ternura”, assinalou.

O encontro com os jovens foi marcado por momentos de oração, música e dança; após a bênção final, o pontífice visita a Catedral de Vilnius, encerrando o programa do primeiro dia de viagem aos países bálticos.

A visita à Lituânia, Letónia e Estónia decorre por ocasião do centenário da independência das três nações, visitadas por João Paulo II há 25 anos.

“Não esqueçais as raízes do vosso povo, pensai no passado, falai com os mais velhos”, pediu Francisco.

OC

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