Lusofonia com Missão…em Roma

O Papa Francisco quer uma Igreja em saída, na direção das periferias e das margens. Boa parte das Igrejas do mundo é apoiada pela Congregação da Evangelização dos Povos. Este Organismo da Santa Sé desdobra-se em iniciativas para melhorar a qualidade da Missão que acontece nos quatro cantos da terra. Uma aposta forte é a formação dos agentes de pastoral, sejam eles Padres, Religiosas, Religiosos ou Leigos. Através das Obras Missionárias Pontifícias, presentes e activas em todos os países do mundo, a sensibilização e mobilização dos cristãos para a Missão vai acontecendo.

Há dois anos, a Lusofonia foi chamada a Roma para um Curso de Missiologia em língua portuguesa. O sucesso foi grande e, por isso, este ano voltou a acontecer. Fui convidado, como um dos animadores, o que muito me honrou, apesar de me transtornar uma agenda já carregada demais. Vir a Roma é sempre uma alegria. Encontrei os ‘convocados’, vindos de Portugal, Brasil, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e Timor. Além dos responsáveis destes países pelas Obras Missionárias Pontifícias, vieram outros padres, Irmãs ou Leigos, empenhados na Missão.

Foi forte o tempo de reflexão, partilha e celebração. ‘Missão e Diálogo num mundo pluri-religioso’, ‘Missão intercultural, vivências e desafios’, ‘a Espiritualidade Missionária’, ‘sem Palavra não há Missão’, ‘ a actualidade das Obras Missionárias Pontificias’, ‘os documentos da Igreja sobre a Missão, ‘ dimensão missionária das Igrejas locais’, ‘a Igreja em saída, na perspetiva ad gentes’, ‘o Mês Missionário Extraordinário de Outubro 2019’, ‘Missão como sentinelas da aurora’…eis os temas que abriram largos espaços de trabalhos de grupo, seguidos de debates em plenário. Importante foi o cruzamento das ideias dos documentos com as práticas missionárias no espaço lusófono. Foi bom de ouvir testemunhos em primeira pessoas sobre a Missão ousada que já percorre os caminhos dos países de língua oficial portuguesa.

A dimensão simbólica foi muito valorizada. Por isso, houve uma peregrinação a Assis, uma celebração nas Catacumbas de Priscila, a visita á sede das Obras Missionárias Pontifícias, a celebração da Missa junto ao túmulo de S. Pedro na Basílica do Vaticano, a participação na Audiência do Papa Francisco.

Na hora da partida, os ‘missionários lusófonos’ sentiam-se mais irmãos e com mais vontade de ir pelos caminhos do mundo anunciar o Evangelho. Não faltam documentos, falta mais vida, mais abertura à novidade do Espírito, mais deslocação para as periferias e margens, seguindo nas peugadas de Cristo. Há que avançar, ‘primeirear’, apostar num estilo de vida mais simples, ser ‘discípulos missionários’, seguir Cristo, construindo um mundo de irmãos.

 

Tony Neves

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