Tony Neves

O Panamá acolhe, de 22 a 27 de janeiro, as Jornadas Mundiais da Juventude com o papa Francisco. Este evento pretende dar mais visibilidade e corpo aos objetivos do Sínodo dos Jovens, como ficou conhecido. Convocado pelo Papa, este Sínodo foi um caminho longo percorrido por muita gente. Houve um questionário on-line. Aconteceu uma inédita Reunião pré-sinodal. Foi produzido um ‘Instrumento de Trabalho’. Depois, aconteceu a Assembleia Sinodal, de 3 a 28 de outubro, em Roma. Foi escrita a ‘Carta dos Padres Sinodais aos Jovens’. Por fim, saiu em várias línguas, o Documento Final.

Novidades? O tamanho: são 3 partes com 4 capítulos cada…um total de 167 números. O fio condutor é o texto do aparecimento de Cristo ressuscitado aos discípulos de Emaús (Lc.24, 13-35). A I Parte é para contar o que foi dito no Sínodo como ponto da situação acerca dos jovens, da sua vocação e Missão na Igreja. A II parte apresenta já algumas chaves de leitura. A III parte avança propostas concretas sobre a Missão dos jovens no futuro.

Apresento alguns recortes colados para motivar à leitura integral.

O Documento começa com uma afirmação forte: ‘A escuta é um encontro de liberdades’ (nº6). Passa para a influência das tecnologias da comunicação: ‘A internet e as redes sociais são uma praça onde os jovens passam muito tempo e se encontram facilmente(…). Estes meios constituem uma extraordinária oportunidade de diálogo, encontro e permuta entre pessoas(…), lugar de participação socio-política e de cidadania ativa’ (nº22). Mas tem um lado obscuro: ‘é território de solidão, manipulação, exploração e violência (cyberbullying) (nº23), ‘operam no mundo digital gigantescos interesses económicos(…). A proliferação das ‘fake news’ é expressão de uma cultura que perdeu o sentido da verdade e manipula os factos para interesses particulares’ (nº24).

Refere que ‘ainda mais numerosos no mundo são os jovens que sofrem formas de marginalização e exclusão social, por razões religiosas, étnicas ou económicas’ (nº42).

Os jovens caminham muito em direção às periferias, ‘inserindo nos processos sociais a inspiração dos princípios da doutrina social da Igreja: a dignidade da pessoa, o destino universal dos bens, a opção preferencial pelos pobres, o primado da solidariedade, a atenção à subsidiariedade, o cuidado da casa comum’ (nº127).

Um dos sinais dos tempos é o do serviço de voluntariado: ‘muitos jovens estão empenhados ativamente no voluntariado e encontram no serviço o caminho para encontrar o Senhor. A dedicação aos últimos torna-se, assim, realmente uma prática da fé’ (nº137).

Há importantes questões ecológicas, na linha da Laudato Si: ‘os jovens empenhados na política devem ser apoiados e encorajados a trabalhar para uma real mudança das estruturas sociais injustas’ (nº154).

O Documento conclui com uma palavra de homenagem: ‘escutar os testemunhos dos jovens presentes no Sínodo que, no meio de perseguições, escolheram partilhar a paixão do Senhor Jesus, foi regenerante’ (nº167).

Desejo que as Jornadas Mundiais da Juventude, no Panamá, rasguem novos caminhos ao futuro dos jovens.

 

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