Tony Neves

Os manuais da Ciência Política dizem o que é preciso fazer para governar bem. Teorias há muitas e bem argumentadas. Mas as práticas nem sempre correspondem em termos de eficácia e muito do que se diz não se faz.

Não basta prometer, é preciso cumprir. Elaborar bons programas de governo implica que se conheça bem o país a governar e haja ideias de humanidade a fazer passar para as leis que regerão, com respeito por todos, os destinos do povo. Muitas vezes impõem-se as lógicas de interesses instituídos, quando devia mandar sempre o bem comum. Na maioria dos casos, ficamos com a impressão de que o melhor do mundo não são as pessoas, mas as coisas, os bens, os interesses.

Jesus foi claro no que diz respeito a critérios de governação: ‘quem quiser ser o maior, seja o servo de todos’. Ou seja, poder é servir e nunca servir-se dos outros, trepando em cima deles para subirem mais alto, mesmo que tal implique esmagar os outros, a sua dignidade, os seus direitos.

Encurtar distância entre o dizer e o fazer é sucesso em ciência política e arte em governação. É preciso agir, não basta a beleza dos discursos. Há uma parábola de uma etnia moçambicana que diz o seguinte: ‘ a aldeia estava no cimo da montanha e, no vale, corria um regato de água pura e fresca onde as mulheres vinham, todos os dias, encher os seus cântaros de 20 litros. Desciam aos grupos e, depois de encher as vasilhas, tinham que trepar montanha acima, por aqueles sinuosos e escorregadios caminhos de cabras. Ora, uma bela manhã, três senhoras vieram ao regato. Enquanto enchiam os cântaros, uma disse: o meu filho mais velho é um jovem talentoso: faz piruetas e saltos mortais, é um ginasta; outra dizia: o meu é cantor: quando canta encanta!. A terceira mãe não via grandes qualidades no filho e calou-se. Pegaram os cântaros e iniciaram a subida da montanha quando apareceram os três filhos. Um, ao chegar, fez uma pirueta e um salto mortal. As outras senhoras confirmaram que ele era um excelente ginasta! Outro começou a cantar com tal afinação que as outras mães se sentiram diante de um pavarotti! O terceiro… chegou ao pé da mãe, tirou-lhe o cântaro, pô-lo á sua cabeça e continuou a subida da montanha, até casa!’.

Os exemplos arrastam, mesmo quando as palavras não abundam. Construir um mundo humano e fraterno é missão quase impossível, mas há que caminhar sempre nessa direcção.

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