Tony Neves

Quarta feira, 28 de novembro. Quem passou junto da Notre Dame, em Paris, do Monumento ao Cristo-Rei, em Almada, da Torre dos Clérigos, no Porto, do Mosteiros dos Jerónimos, em Lisboa, da Igreja dos Congregados em Braga ou noutras Igrejas nos EUA, no Reino Unido, na Irlanda, na Austrália…viu tais monumentos icónicos ‘vestidos’ de vermelho. Não havia ali razões políticas nem desportivas, onde as cores falam de países, partidos ou clubes de futebol! Não! A razão era bem mais profunda e a exigir uma reflexão séria seguida de ações consequentes e corajosas: há atentados graves contra a liberdade religiosa, há muitas pessoas a sofrer e a morrer por causa da sua Fé! E o vermelho é a cor do sangue, simboliza o martírio.

O Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado anualmente pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) põe a nu a forma como muitos governos gerem e abafam a liberdade das populações que deveriam servir. Sendo a liberdade religiosa a liberdade das liberdades, deveria preocupar muito os governos deste mundo o facto de 300 milhões de cristãos estarem hoje a ser perseguidos. Estamos a falar da religião mais perseguida do mundo, em termos numéricos.

O Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, na sua homilia de Cristo-Rei, denunciou as violações frontais à liberdade religiosa que se praticam diariamente em muitos países e lembrou que 6 em cada 10 pessoas não conseguem expressar a sua Fé com liberdade!

Diante de dados tão objetivos (e não são só os crentes cristãos os perseguidos!) há que agir. O Papa Francisco tem levantado a sua voz, inúmeras vezes, para denunciar as atrocidades que se cometem por esse mundo além. Mas, na maioria das vezes, aparece como voz única (ou quase), aparentemente sem que os grandes da terra lhe deem ouvidos e o tomem a sério. Com esta postura de indiferença (e, às vezes, até de conluio), a comunidade internacional assiste de braços cruzados à perseguição e à morte de milhões de pessoas.

A Ajuda à Igreja que Sofre vai longe quando diz: ‘há cada vez mais provas de uma cortina de indiferença por trás da qual as comunidades religiosas vulneráveis sofrem, sendo a sua luta ignorada pelo Ocidente’.

Estou na Ilha de Zanzibar, na Tanzânia, num encontro de Missionários Espiritanos que trabalham em contextos onde o diálogo interReligioso se pratica no dia a dia. Também aqui muito se está a partilhar sobre as perseguições que afligem o mundo. Mas torna-se cada vez mais claro que ‘Dialogar’ é  a palavra-chave da Missão do presente e do futuro.

Há que agir. Há que abanar bandeiras e sair à rua. Há que vestir monumentos de vermelho. Há que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que o mundo seja aquilo que Deus quer: um espaço de justiça, paz e direitos humanos. É este o projeto criador de Deus a que temos de dar corpo e cumprimento. Não percamos a ousadia de sermos construtores de um mundo feliz, onde todos tenham vez e voz.

 

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