Um só Rebanho, um só Pastor!

É a vontade de Deus! O nosso compromisso, então, tem de dar corpo a esta vontade e o Ecumenismo expressa esse caminho sempre retomado que os cristãos tentam percorrer. A unidade é mais que um objectivo, o cumprimento do projecto cristão. Por ela temos de dar a vida, até ao fim.

A Associação de Imprensa Missionária (MissãoPress) tem, em Portugal e fora dele, tentado dar corpo a esta esperança. Ano após ano, mostra estes caminhos de comunhão, seja na Semana da Unidade, seja por ocasião da celebração anual dos Fóruns Ecuménicos Jovens.

Para esta Semana da Unidade, a MissãoPress pediu uma reflexão ao Prof. João Luis Fontes, um dos membros da Igreja Católica na Equipa Ecuménica Jovem. Escreveu: ‘O início de um novo ano é sempre um tempo de esperança. É uma nova página que se abre, ainda em branco, como se a cada um fosse dada, sempre de novo, a oportunidade de recomeçar, de renascer. É o tempo dos projectos, dos propósitos mais ou menos voluntariosos, das decisões que queremos honrar.

Este historiador, perito em assuntos ecuménicos, escreveu: ‘É neste início de ano que, há mais de um século, os cristãos das diversas tradições eclesiais – católicos, protestantes, ortodoxos, anglicanos… – são convidados a uma semana mais intensa de oração pela unidade. Como se, também aqui, fôssemos convidados a reacender a esperança, a procurar na oração comum, na escuta e partilha da palavra, nos gestos fraternos, a força para prosseguir a nossa missão comum de testemunharmos a novidade de Jesus, vivo e ressuscitado, como irmãos e irmãs, e de semearmos no nosso dia a dia a reconciliação e a confiança.

A ajuda à reflexão para esta semana da unidade vem da América, dos cristãos das Caraíbas: ‘Com eles, vem a memória dorida de um passado associado ao colonialismo, à escravatura, ao tratamento desumano do outro. A novidade cristã foi aqui simultaneamente instrumento de opressão, trazida pelos colonizadores, e instrumento de libertação, quando encarnada na vida dos povos indígenas. O canto de Moisés, erguido após a passagem do Mar Vermelho, é relembrado como expressão dessa liberdade que Deus quer trazer à vida dos homens e mulheres e todos e cada um dos tempos.

João Luis Fontes conclui: ‘A interpelação que aqui nos é lançada obriga-nos a não fazer do ecumenismo apenas algo de espiritual, íntimo, desencarnado da vida. A novidade cristã rompe a aparente vitória do mal e da morte, destrói tudo o que esmaga ou aprisiona cada ser humano. Ser de Cristo faz de cada um dos seus discípulos profetas, construtores de um mundo mais solidário e fraterno, denunciando e lutando contra todas as situações que diminuem ou esmagam a dignidade humana. E isto pode e deve fazer-se também em clave ecuménica’.

São exigentes os tempos que vivemos. Pede-se mais coerência aos cristãos e a sua desunião é mau testemunho de um projecto que traduz a comunhão que se vive no coração de Deus. Por isso, é urgente dar corpo à vontade de Cristo: ‘Que haja um só rebanho e um só Pastor!’. Tudo o resto é traição ao Evangelho!

Tony Neves

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