O trabalho das Servas de Nossa Senhora de Fátima na diocese de Nampula

Foto Agência ECCLESIA/HM, Missão de Mecubúri

Henrique Matos e João Pedro Gralha, enviados da Agência ECCLESIA a Nampula

Nampula, Moçambique, 26 out 2018 (Ecclesia) – A Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima estão em Mecubúri desde 1972, uma missão onde se chega após 70 quilómetros em terra batida, na região de Nampula, no Norte de Moçambique.

As religiosas de Portugal viveram em Mecubúri o período da descolonização, mas para elas e para a Igreja de Moçambique o momento da prova chegaria com o marxismo adotado pelo regime como política de Estado: foram anos de militância ateia que incentivava o combate à sensibilidade religiosa do povo.

46 anos depois ainda se encontram três religiosas desta congregação portuguesa fundada por Luiza Andaluz, para dar continuidade a um trabalho de dinamização pastoral e acompanhamento de comunidades cristãs dispersas na floresta.

São mais de 110 as pequenas comunidades cristãs que se diluem em redor de Mecubúri.

No início do mês, os cidadãos concentraram-se para se inteirarem do novo plano Pastoral da Diocese de Nampula, num trabalho coordenado pela irmã Cristina Mutampua, a única moçambicana desta comunidade das Servas de Nossa Senhora de Fátima.

“O ancião é o guia espiritual da comunidade cristã na ausência do padre” diz a irmã Cristina, acrescentando que são leigos e são escolhidos pelos membros da comunidade para presidir à celebração da Palavra e assumir a condução da comunidade cristã.

Em Mecubúri estiveram algumas dezenas, alguns caminharam mais de 50 quilómetros animados pela missão que lhes foi confiada.

António Mapalami é o ancião da Comunidade de Santa Cruz de Namacuco.

“O meu serviço, a minha missão como ancião é reunir todos os membros da comunidade, todos os cristãos, pais e mães, as crianças e ensinar como seguir o caminho de Deus. Saber que Deus é o nosso itinerário e nós temos que seguir esse caminho”, afira expressando-se em macua.

“A guerra, ao mesmo tempo que nos separou pelo medo, uniu-nos como cristãos porque esse era o único meio para termos força”, disse Mapalami  à reportagem da Agência ECCLESIA.

“A Igreja em Moçambique teve de acompanhar a realidade” diz a irmã Cristina, referindo que “no tempo do socialismo marxista, o país promovia os pequenos grupos e a Igreja teve de se adaptar”.

A grande missão e as assembleias numerosas, deram lugar a uma fé celebrada nas aldeias e nas casas para não despertar a atenção” salienta a Serva de Nossa Senhora de Fátima.

D. Ernesto Maguengue, recorda o tempo em que as igrejas foram nacionalizadas: “nessa altura a igreja em Moçambique tomou uma decisão e passou a celebrar a sua fé debaixo das árvores”.

O bispo auxiliar de Nampula sublinha o papel dos leigos que, desde então, são quem sustem a dinâmica de fé das comunidades.

A realidade pastoral do norte de Moçambique e o trabalho missionário que é desenvolvido pelas Servas de Nossa Senhora de Fátima é tema para o programa 70X7 deste domingo, dia 28, na RTP2, com emissão prevista para as 17h50.

HM/PR

Partilhar:
Share