Monja «twitera» sugere «conversação» e «acolhimento» como boas práticas nas redes sociais

Fátima, 27 set 2018 (Ecclesia) – A irmã XisKya Valladares disse hoje que para evangelizar nas redes sociais as publicações devem ser mais amplas do que exclusivamente religiosas.

“Não bombardear a rede com mensagens religiosas. Isso não é evangelizar. Isso só interessa a quem é religioso. Quem não vai à Igreja não lhe vai interessar”, enfatizou a religiosa durante o debate que esta tarde apresentou em Fátima sobre «Boas práticas para evangelizar no Facebook, Twitter e Instagram».

“Os entendidos dizem que devemos publicar 20% de interesse nosso e 80% do interesse da audiência. Se apenas publico mensagens religiosas isso só vai tocar 20% que me interessa a mim”, referiu.

A religiosa sugere um “estilo de conversação” que opte pelo “acolhimento” em vez da publicação exclusiva de “mensagens religiosas”.

«Porque não um átrio dos gentios dentro de uma diocese on line?»

Questionada sobre o investimento a fazer por uma instituição religiosa no ambiente digital, a irmã Xiskya Valladares afirmou que este é um trabalho que não pode ser deixado nas mãos de voluntários.

“Se atiramos setas sem ter um objetivo, não vamos acertar. É importante ter uma pessoa que não seja voluntária. Não basta dar-lhe um botão para ele clicar mas que saiba sobre marketing, sobre comunicação”.

Na apresentação, a religiosa da Congregação da Pureza de Maria evidenciou que a mudança tecnológica está a alterar “a forma como se conduz, como se compra, os relacionamentos, como se comunica” e também a forma como “as pessoas edificam os valores”.

“Não podemos continuar a falar com linguagens antigas, com mensagens de sempre para pessoas novas, para novos usuários”.

Uma eficaz comunicação na rede social Facebook compreende que a partilha de uma homilia, por exemplo, deve ter de “um paragrafo sugestivo, um vídeo de um minuto no máximo e, um link para quem queira ler a homilia completa. Esta forma resulta mais e está mais de acordo com a minha audiência”.

Nesta rede social, indicou a religiosa, “a criatividade tem de ir mais além do que já fazemos sempre: as mensagens e a fotografias”.

“A interação é o que vai causar mais gostos”, sublinhou, exemplificando com a possibilidade de fomentar a participação com perguntas, partilha de estados que gerem emoções e o uso de um “humor são”.

“O jornalismo tem regras mas não pode ser uma mensagem plana, sem emoção porque não vai interessar a uma maioria”, sugeriu durante a apresentação.

Sugere a irmã Xiskya que a publicação deve ser “diária”, com “resposta a todos os comentários”.

“O melhor dia para publicar é o domingo e a melhor hora é entre as 22h e a meia-noite, mas cada instituição deverá descobrir qual a sua melhor hora”.

Sobre a rede social Twitter, nascida a partir do envio de mensagens curtas, afirmou a religiosa ser a forma privilegiada para “pescar fora do aquário”.

“O Twitter é mais para um alcance fora das nossas fronteiras; é para nos relacionarmos com pessoas fora no nosso círculo”.

No Twitter devem ser motivadas as conversações, daí a importância de responder às mensagens.

O Instagram é “uma rede, sobretudo, de gente jovem”.

“Sobretudo para nos aproximarmos deles, e, em especial, através de fotos e vídeos”, exemplifica: “A qualidade da imagem diz muito à gente jovem sobre uma instituição”.

A religiosa deixou ainda o alerta de que as redes são como “uma lupa”, pois “aumentam os nossos defeitos e o ser humano não é perfeito”.

“Todas as redes sociais têm o botão de silenciar e de bloquear” que devem ser usados quando a interação com “hatters” e “pessoas doentes” acontece.

As redes são como uma lupa: aumentam os nossos defeitos e nós não somos perfeitos. A religiosa indica que “todas as redes sociais têm o botão de silenciar e de bloquear” e que se devem usar.

Para a tarde está prevista a apresentação de Juan Della Torre, da La Machi – Agência de Comunicação para Boas Causas, responsável pela app oficial de oração do Papa, ‘Click To Pray’, e pela produção mensal de ‘O Vídeo do Papa’.

A organização do evento adianta que nestas jornadas vai ser apresentado um estudo mundial sobre “social listening” no facebook e instagram, relativo aos interesses dos jovens com idades entre os 18 e os 25 anos.

As Jornadas Nacionais de Comunicação Social e III Jornadas Práticas de Comunicação Digital são organizadas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais e pela Rede Mundial de Oração do Papa, oferecendo conferências, workshops e debates com oradores de referência nas áreas da comunicação social e digital.

LS

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