Jovem sírio vive em Portugal há 2 anos e vai participar nas iniciativas do Dia Internacional dos Refugiados

Lisboa, 18 jun 2018 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa e a Conferência Episcopal convidaram migrantes e refugiados, como Rafat Dabah da Associação ‘Pão a Pão’, a partilharem o pão dos seus países e regiões, esta quarta-feira (20 de junho), Dia Mundial do Refugiado, em Lisboa.

“Um dia vai ser difícil deixar Portugal. Estou a pensar no meu futuro em Portugal. Na Síria já não dá, não temos nada”, disse Rafat Dabah em declarações à Agência ECCLESIA.

Depois de fugir da Síria há seis anos, por causa da guerra, o jovem chegou Portugal há 2 anos, depois de uma passagem pelo Egito, e faz parte da Associação ‘Pão a Pão’, para além de trabalhar num restaurante de cozinha síria.

“Compensa ficar aqui, é melhor, e estou a gostar”, afirmou.

A Cáritas Portuguesa convidou migrantes e refugiados a partilharem o pão dos seus países e regiões, esta quarta-feira, numa iniciativa que se realiza entre as 17h00 e as 19h30, no Salão Almada Negreiros, na Gare Marítima da Rocha Conde d’Óbidos.

“O pão, não só como refeição, está presente em muitos países como alimento base”, explica Filipa Abecassis, da Unidade Internacional da Cáritas Portuguesa.

A responsável adiantou que convidaram entidades do Governo português, já está confirmada a participação do primeiro-ministro António Costa, entidades públicas ligadas à área das migrações, embaixadores e representantes consulares e associações de migrantes.

“Para nós o pão é mesmo um alimento base para comer tudo. A mesa não conta se não tiver pão”, salientou Rafat Dabah, que vai integrar um painel com testemunhos de vida, com Joana Balaguer (Brasil) e o sacerdote português Paulo Duarte – moderados pela jornalista da Antena 1, da rádio pública, Alice Vilaça.

“Nem sempre o partir e chegar é fácil e, muitas vezes, essa facilidade ou dificuldade está em quem recebe dos dois lados”, realçou a autora do programa radiofónico ‘Portugueses no Mundo’.

“Fui recebido mesmo bem pelos portugueses. Talvez porque antes estiveram fora do país e passaram estas situações e têm o sentido de pessoa estrangeira num país estrangeiro”, revelou o jovem sírio.

Os portugueses têm a tradição da migração, “está no sangue ir à descoberta”, e para a jornalista Alice Vilaça isso dá “uma capacidade maior de receber”.

“Quando vemos alguém a chegar e se fizermos o exercício de nos colocarmos nos sapatos do outro e tendo na nossa história essa marca de descobridores e termos ido à procura, acho que isso, mesmo que não queiramos, de forma consciente faz acolher de forma diferente”, desenvolveu.

‘Vem partilha o teu pão’ é um dos eventos da semana de ação conjunta mundial da campanha ‘Partilhar a Viagem’, que começou este domingo, e que a Cáritas Internacional promove até 2019, depois de ter sido lançada pelo Papa Francisco a 27 de setembro, no Vaticano.

Segundo Filipa Abecassis, a campanha internacional de sensibilização quer promover uma cultura do encontro, contar e partilhar histórias e testemunhos de pessoas que partem e de pessoas que chegam e mostrar que as diferenças não são tantas.

Na Organização das Nações Unidas (ONU) estão a ser negociados dois Pactos Globais, um sobre Refugiados e outro para as Migrações Seguras, Ordenadas e Regulares.

“O que se quer é que as pessoas tenham a escolha de poder ou não migrar, não existirem migrações forçadas de qualquer tipo”, refere Filipa Abecassis, da Unidade Internacional da Cáritas Portuguesa.

HM/CB/PR

 

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