É possível evangelizar através da internet?

Esta semana a minha sugestão passa por algo diferente. Não apresento nenhum sítio online nem nenhum produto multimédia. Proponho que juntos façamos uma reflexão sobre a possibilidade de usarmos a internet como meio de evangelização.

O fenómeno religioso na Internet possui características muito próprias e específicas. Podemos facilmente constatar, através de uma pesquisa simples num motor de busca, que as páginas na internet de índole religiosa são imensas. Contudo, por vezes, encontramo-nos perante presenças online verdadeiramente consumistas e feitas à medida da sociedade de hoje, sem terem em atenção a mensagem.

Vamos assim analisar as três grandes características que o fenómeno religioso deve possuir e às quais deveremos ter em atenção:

– Antes de mais, existe um “secularismo virtual”. O secularismo já não se apresenta como ausência de elementos sagrados, mas sim como oferta quase comercial de religiões, sem referência ao sagrado ou com um conceito menos correcto do que pertence ao sagrado, feito, isso sim, à medida do ser humano.

– Por outro lado, observamos o que podemos designar de “relativismo online”. Na Internet nada é absoluto, nem sequer é verdade. Ao entrar na rede, o utilizador encontra várias propostas de felicidade que lhe são oferecidas, com argumentos muito atrativos, com múltiplas promessas de uma vida melhor, de superação pessoal, porém sem referência a uma verdade absoluta nos seus conteúdos (relativo a este tema, ler a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano).

– Por último, a “liberdade e a Internet”, que é um aspeto particular do fenómeno religioso na Internet. A Internet é como o altar no qual se presta culto ao conceito de liberdade surgido na época da modernidade, onde esta palavra assumiu características muito diferentes.

A necessidade de evangelizar na Internet é mais do que uma opção, é um dever próprio de todo o cristão. Neste sentido, recordamos que o encontro pessoal com Cristo é a chave para uma autêntica evangelização. Por outro lado, a vida da Igreja online deverá ser um espelho daquilo que leve as pessoas a um encontro com o Ressuscitado e as encaminhe para uma liberdade que deve ser guiada pelo amor. A Igreja deverá ainda abrir as suas portas e mostrar o amor do Pai. Para isso, pode e deve fazê-lo também através da Internet, adaptando-se sempre aos novos meios tecnológicos e às novas linguagens, para que possa continuar o seu diálogo com a humanidade. Somente assim se poderá estabelecer um verdadeiro diálogo com a mulher/homem de hoje num meio como é a Internet, essencialmente interativo e imediato.

Fernando Cassola Marques
fernandocassola@gmail.com

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