Miguel Oliveira Panão (Professor Universitário), Blog & Autor

Depois da festa de Natal da minha filha mais nova percebi que a palavra mais difícil de dizer nesta época festiva será… Jesus. Porquê?

Fala-se de Espírito de Natal, Pai Natal, Fadinhas, Anjinhos, mas não de Jesus. Creio que todos temos uma vaga noção disso parecer ser a atitude mais laica (porque o Estado é laico), ou a mais universal porque nem todos os meninos são filhos de pais que acreditam em Deus. Mas creio estarmos a perder a força que esse nome tem, hoje, para cada família e pessoa.

 

A vida não é fácil

Ainda há pouco tempo estive em Álvaro, uma aldeia assolada pelos fogos de Outubro de 2017, onde pessoas com alguma idade perderam as suas casas. Embora tivessem sido reconstruídas, faltavam os pratos, talheres e outros bens que recheiam e dão vida ao interior de uma casa. Uma comunidade dos Focolares em Coimbra juntou-se para recolher aquilo que alguém quisesse dar e levámos dois carros como diversos bens. Por que razão o fizemos? Um rosto e um nome: Jesus.

Enquanto não soubermos ver em cada pessoa um outro Jesus, não experimentamos a força que tem este nome.

Dizer Jesus no Natal vai muito, mas muito para além de nos ligarmos a uma religião em particular.

Ao celebrarmos a fragilidade de uma criança, celebramos a vida que dá vida ao seu redor.

A alegria que nasce quando a vida se manifesta através dos sorrisos de familiares, amigos e desconhecidos.

A criatividade de Deus na unicidade de cada pessoa que nasce.

Jesus é um nome que contém a força revolucionária do amor quando diante das nossas limitações dizemos – “É por ti, Jesus.” – Ou ainda – “É para ti , Jesus, que estás naquele pobre.”

Por que razão dizer “Jesus”

Há um senhor com alguma idade que costuma ajudar as pessoas a arrumar os carros num parque de estacionamento onde costumo deixar um dos meus filhos quando vai para a escola. A partir de um certo momento, começámo-nos a cumprimentar. Ao longo de dias, semanas, e meses, desenvolvemos um relacionamento baseado unicamente numa saudação matinal, cada dia mais calorosa. Um dia, cumprimentámo-nos com um aperto de mão. Não deixei passar a oportunidade de lhe perguntar o nome: o Sr. Carlos. Depois, sentia que – de um modo inesperado e misterioso – pelo facto de fazer parte dos nossos ritmos familiares, era como se fizesse parte da nossa família. Tomei a iniciativa de lhe oferecer um dos meus melhores cachecóis, escrevi-lhe algumas palavras e ofereci-lhe um menino Jesus num berço de palha. De tudo o que estava embrulhado, sem dúvida que era um pretexto para lhe oferecer o mais importante: o que via no seu sorriso todas as manhãs. E o que via? Jesus.

Nesta recta final de 2018, não há palavra que mais nos pode inspirar a sonhar alto em 2019 do que – “Jesus.” Nos meus tempos de jovem, ao participar nos grupos de oração do Renovamento Carismático, cantávamos muitas vezes durante uma adoração apenas o Seu nome – “Jesus, Jesus, Jesus.” Porquê? Por conter uma claridade incomparável de cada vez que o pronunciávamos. Por ser um nome que contém si um modo de louvar a Deus e agradecer-lhe pela vida que nos deu e por quanto somos amados por Ele. Nada nos impede de fazer esta experiência de continuar a pronunciar – “Jesus.”

O mundo só esquecerá o nome de Jesus, Palavra incarnada, se deixarmos de experimentar o valor que tem em cada momento da nossa vida, em cada passo que damos, em cada encontro que temos, em cada decisão que tomamos, em tudo. Por isso, não receies dizer neste Natal aos outros um nome que está no rosto de cada próximo… Jesus.

Partilhar:
Share