Paulo Rocha, Agência Ecclesia

Palestras sobre futebol, conversas com jogadores e declarações à imprensa solicitam todas as palavras de Fernando Santos, na maioria dos dias. Mas, como o próprio sempre refere, nunca recusa dizer em Quem acredita e mostrar como O tem de testemunhar em todas as circunstâncias do quotidiano.

E foi no uso da palavra neste segundo cenário que Fernando Santos fez uma pausa na preparação para o mundial para falar aos colaboradores da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o advento e o Natal, adiantando formas de relacionamento e de vida em grupo que permitem viver o tempo que prepara o acolhimento da Vida do presépio, de forma coerente. Um conjunto de provocações, inesperadas talvez, que desinstalam, descolam de considerações que se repetem em torno de quatro semanas e outras tantas velas a partir de discursos marcadamente autorreferenciais e quase sempre em torno das mesmas vozes.

De facto, o contexto é, por vezes, suficiente para que o Natal seja uma novidade, em cada ano. Basta que se procurem novos rostos, se dê atenção a quem anseia por pistas de humanidade e tarda em encontrá-las e se sacudam indicadores de “qualidade religiosa” que mais não são do que meios para comodismos pessoais e condenações alheias.

De uma hora de conversa, completamente descontraída, mais do que num balneário após uma vitória, o selecionador nacional apontou muitas sugestões, com linguagem inovadora e a tocar aspetos da vida que são essenciais para que o esforço de todos os dias atinja os resultados previstos.

Um dos aspetos decorre da força do “nós”. Da capacidade de fazer esquecer o “eu”, o tu” para emergir o “nós”, a energia do grupo, capaz de conquistar vitórias. Essa terá sido a estratégia de um líder para levar todo o grupo a trazer para Portugal o título europeu de futebol. E essa tem de ser também a metodologia de quem se assume cristão, sobretudo de quem faz coincidir a sua ocupação profissional com a exigência de ser “discípulo missionário”.

É também em torno de um “nós” que acontece Natal. Nenhum “eu” é significativo diante da Luz que nasce. Nem o Batista, que tudo remeteu para Aquele que viria depois dele. Sendo assim, urge talvez reconfigurar hábitos, rotinas destes dias, laços e luzes. Porque tudo só faz sentido mediante o abandono de sentidos egocêntricos e a confluência de tudo e de todos para um “nós”, que habitualmente se diz “comunidade”.

De facto, o Natal que é para “nós” todos. Tanto os que montamos o Presépio, como para queles que não sabem o que isso é; para quem tem possibilidade de oferecer prendas e os que nada lhes ligam; os que acreditam, os que O negam ou são-Lhe indiferente. É que Ele vem para todos! E como não se sabe quando vem, o Natal tem de ser vivido sempre com todos!

Paulo Rocha

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