Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

O crescente pluralismo da sociedade portuguesa e o impacto da globalização, nas suas várias vertentes, tendem a fazer com que se multipliquem, naturalmente, as várias formas de celebrar o Natal. Um dos casos que mais me impressiona é aquele em que, publicamente, se impede qualquer pessoa de assumir uma referência explícita à celebração do nascimento de Jesus como fonte de sentido para a forma como vive esta quadra.

Confesso que é estranho: a compreensão e a abertura para a cultura do outro não podem nem devem impedir a manifestação da identidade própria. Não se trata de uma pretensão católica de esgotar em si todas as possibilidades de celebração natalícia, mas de assumir um imprescindível fundo cultural e religioso que é essencial para compreender a forma como hoje vivemos o Natal.

O que me parece faltar muitas vezes é o questionamento sobre como apresentar a nossa história própria a quem chega de fora, por exemplo, sem lhes esconder o que somos e o que fazemos, por um falso pudor que levaria a abdicar de categorias mentais, religiosas e filosóficas fundamentais para a compreensão da realidade em que todos vivem.

Para muitos portugueses o Natal é a celebração do nascimento de Jesus e tem uma dimensão religiosa. Tentar evitar que essa convicção tenha visibilidade pública não é tolerância. Aliás, parece-me mais o contrário… 

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