Francisco lembrou à Fundação «Centesimus Annus pro Pontifice» importante papel da Doutrina Social da Igreja

Cidade do Vaticano, 26 mai 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco lembrou hoje a importância da ética no mundo económico e financeiro e afirmou ser este “vínculo” que estabelece uma relação entre o lucro e a responsabilidade social.

“Há uma circularidade natural entre lucro e responsabilidade social. Há de fato um ‘vínculo indissolúvel […] entre uma ética que respeita as pessoas e do bem comum e a funcionalidade real de cada sistema económico e financeiro”, afirmou o Papa aos participantes na Conferência Internacional da Fundação «Centesimus Annus pro Pontifice», onde citou o documento «Questões económicas e financeiras», apresentado no passado dia 17.

Francisco sublinhou que as “atuais dificuldades e crises na economia”  têm uma dimensão ética, problemas esses relacionados com “uma mentalidade de egoísmo e de exclusão” que se esqueceu da “dignidade humana dos mais vulneráveis”.

A “globalização da indiferença” é disso um sinal evidente que, indicou o Papa, se tornou visível “não só em países materialmente pobres, mas também cada vez mais no meio da opulência do mundo desenvolvido”.

Aos cerca de 500 participantes do encontro, o Papa lembrou o “importante papel” de levar a Doutrina Social da Igreja a “líderes da economia e finanças, bem como a líderes sindicais e outros no setor público” afirmando a “dimensão social intrínseca de toda atividade económica”, protegendo-a e promovendo-a.

“A dimensão ética das relações sociais e económicas não pode ser importada para a vida e para a atividade social a partir do exterior, mas deve emergir de dentro”, sublinhou durante a audiência esta manhã.

No seu discurso o Papa Francisco refletiu ainda sobre os desafios que as famílias enfrentam perante as “escassas oportunidades de trabalho” e diante “da revolução da cultura digital” que tornam “decisiva a solidariedade da Igreja” e devem contar com uma colaboração “ecuménica”.

“A vossa contribuição é expressão de uma atenção privilegiada da Igreja com o futuro dos jovens e das famílias. Esta atividade conta com a especial colaboração, representada pelo Patriarca Bartolomeu I, aqui presente”, sublinhou Francisco.

O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, presente no encontro assinalou, durante um discurso «Uma agenda cristã comum pelo Bem Comum», a responsabilidade partilhada entre as Igrejas para enfrentar desafios atuais.

Durante três dias, e sob a presidência do cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, os 500 participantes estiveram reunidos, em Roma, numa conferência internacional da Fundação «Centesimus Annus pro Pontifice» que quis assinalar os 25 anos da sua existência, promovendo um encontro com o tema «Debate sobre as novas políticas e estilos de vida na era digital».

A Fundação “Centesimus Annus” foi instituída pelo São João Paulo II (1920-2005) e tem por objetivo a promoção da DSI e das ações da Santa Sé nos meios profissionais, favorecendo a presença da Igreja em diferentes âmbitos sociais.

LS

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