Conservador e restaurador Dener António Chaves revela que estão a formar «Guardiões do património»

Dener António Chaves

Aveiro, 22 out 2018 (Ecclesia) – Dener António Chaves, da Arquidiocese de Belo Horizonte, no Brasil, esteve em Portugal para conhecer projetos e ações e formações na área da conservação do património, dinamizados pelo Secretariado Nacional dos Bens Culturais (SNBC) da Igreja Católica.

“Temos um património muito parecido historicamente e os problemas são parecidos com os do Brasil, mas os problemas são maiores por sermos um país continental”, disse o entrevistado que trabalha para a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e na assessoria da Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros.

Em declarações à Agência ECCLESIA, Dener António Chaves realçou que “é significativo” o projeto português Thesaurus, do SNBC dedicado à inventariação, e no Brasil o trabalho desenvolvido “não abrange todo o património da Igreja, só nas igrejas históricas”.

“Precisamos de um instrumento parecido”, afirmou à margem da ação de formação ‘Património artístico da Igreja – critérios e práticas de conservação preventiva’, que decorreu na Diocese de Aveiro.

O doutorando em Ambiente Construído e Património Sustentável explica que viajou até Portugal para “perceber” como é o projeto, “quais são as experiências de formação realizadas”, porque entendem que também precisam dessa formação.

Dener António Chaves adianta que esperam desenvolver projeto de intercâmbio entre o Brasil e Portugal, para que tenham “a possibilidade de entender os problemas” e as experiências que já estão no terreno são essenciais.

O conservador e restaurador brasileiro destaca que dão uma “importância muito grande ao património da Igreja”, porque faz parte da história do Brasil “de forma integral”.

Segundo o entrevistado, que também trabalha para a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a formação direcionada para “o cuidado com o património é muito nova” num país onde os cursos superiores de restauração e conservação começaram em 2008, antes eram especializações.

Neste âmbito, Dener António Chaves adianta também que estão a promover relações intergeracionais para a proteção do património.

‘Guardiões do património’ são jovens entre os 15 e os 24 anos que estão a ser formados para começarem a trabalhar nas comunidades, mais concretamente na formação de pessoas que “trabalham diretamente com o património”.

“É uma formação mais ligada à conservação preventiva que é diferente dessa geral que temos de valorização do património”, explicou Dener António Chaves, da Arquidiocese de Belo Horizonte, Minas Gerais – Brasil.

A próxima ação de formação ‘Património artístico da Igreja – critérios e práticas de conservação preventiva’, do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja Católica, vai realizar-se a 17 de novembro em Lamego, depois de Santarém e Aveiro, e noutras dioceses em 2019.

LS/CB/PR

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