Monsenhor Luciano Guerra lembra visita ao Santuário de Fátima, em 1967

Foto: CPP

Fátima, 12 out 2018 (Ecclesia) – O antigo reitor do Santuário de Fátima considera que Paulo VI foi o “Papa do equilíbrio” e lembrou a presença do Papa Montini na Cova da Iria, na peregrinação que assinalou os 50 anos das Aparições, onde esteve com funções organizativas da celebração.

“O equilíbrio é o segredo da sabedoria. Este homem, tentando condescender por um lado, e abrir, por outro, alargou o mais possível os braços de um cristão. O importante é encontrar o sinal de Deus em toda a humanidade, procurando o denominador comum para a felicidade como base de existência”, afirma à Agência ECCLESIA monsenhor Luciano Guerra.

A  ligação oficial ao santuário por parte do padre  Luciano Guerra aconteceu anos depois, em 1973, mas esteve em Fátima no dia em 13 de maio de 1967, com funções organizativas na celebração, vindo diretamente de Paris, onde se encontrava, para participar na primeira visita de um Papa.

“Muitíssima gente e muitíssima chuva. Eu estive sempre muito ocupado com a organização das várias celebrações, naturalmente com a precipitação porque a sua vinda foi uma precipitação… foi preciso insistência do bispo de Leiria (D. João Pereira Venâncio), para ele vir”, recorda à Agência ECCLESIA.

Durante a homilia, “o Papa absteve-se a qualquer referência às aparições de Fátima, mas teve um gesto importante: mandou vir a irmã Lúcia e apresentou-a à multidão. Eu estava distraído na altura e disseram-me: «diga qualquer coisa, que a irmã Lúcia está a ser apresentada». Eu não me lembro bem: ou calei-me ou disse simplesmente o que estava a acontecer. A multidão aplaudiu”, recorda.

Em Paulo VI, recorda, ficou ainda marcada a imagem da multidão que preenchia a esplanada do local.

“Sei que depois o Papa disse que nunca tinha visto uma multidão como esta. Que é natural. É uma multidão única, muito numerosa e muito orante. Esta unidade coloca-nos numa corrente que, percebemos por instinto, é uma corrente profunda em nós. E ele percebeu e viveu isso”.

O antigo reitor do santuário de Fátima acredita que a viagem de Paulo VI foi feita por “devoção”.

“Tinha consciência de que isso era muito difícil, porque havia um certo ambiente pouco favorável a Fátima e ao culto mariano. O Papa tinha tido no Concilio Vaticano II uma posição muito forte a favor do culto de Nossa Senhora e de Fátima. Não consta que tenha acontecido em nenhum Concílio ecuménico”.

O centro pastoral Paulo VI, em Fátima, inaugurado em 1982 por João Paulo II, foi projetado durante a reitoria de Monsenhor Luciano Guerra, entre 1973-2008.

“Ele estava empenhadíssimo na pastoral da Igreja, numa renovação da Igreja. O centro pastoral não tinha outra intenção que dar aos peregrinos de Fátima uma possibilidade maior de reflexão sobre as aparições e da mensagem. Pareceu-nos que o melhor nome era dar o nome do Papa Paulo VI: Foi unânime. Não tivemos dificuldades nisso”.

Paulo VI inaugurou a ligação dos Papas ao Santuário de Fátima.

“Eu não direi que não, mas eu penso que o próprio ser do santuário estava destinado a uma dimensão universal que a meu ver ainda não se realizou plenamente”.

A canonização de Paulo VI vem, para o monsenhor Luciano Guerra, indicar uma coerência “dos grandes Papas nos últimos séculos”.

“A Igreja precisava e conseguiu um Papa de grande envergadura intelectual e de grande fundamentação teológica. O problema maior da Igreja é encontrar sempre para toda a sua ação o seu grande fundamento em Deus e na revelação cristã. Os últimos Papas tiveram essa preocupação”.

D. Óscar Romero e o Papa Paulo VI vão ser canonizadas pelo Papa Francisco no próximo domingo; o programa 70×7 desse dia e o programa na Antena 1 mostram testemunhos da vida e obra destas duas figuras da Igreja.

LS

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