Leigos para o Desenvolvimento organizam, em Lisboa, sessão de apresentação de projectos para trabalho de cooperação nos países em desenvolvimento Há mais de 20 anos que os jovens partem para países em vias de desenvolvimento para serem voluntários e, com espírito de entrega e serviço, estão nos PALOP e em Timor a desenvolver projectos de cooperação e desenvolvimento. Há mais de 20 anos que os Leigos para o Desenvolvimento (LD) fazem esta proposta aos jovens, mostrando que, terminados os estudos não têm, necessariamente, de se empregar e trabalhar. E porque cada vez mais esta é uma realidade que vai fugindo ao que era normal, todos os anos, esta Organização Não Governamental para o Desenvolvimento envia, cerca de 25 voluntários para os países de expressão portuguesa. Esta é uma proposta com 20 anos de história e “continuamos a propor a mesma coisa”, explica à Agência ECCLESIA Paulo Costa, responsável pela comunicação dos LD, “que as pessoas se doem, pelo menos um ano da sua vida, e contribuam para ajudar no desenvolvimento de países e pessoas carenciadas”. Mas a proposta é, a cada ano, nova também. “O novo manifesta-se na adaptação à realidade do desenvolvimento, que conta com uma evolução constante e dinâmica nas últimas duas décadas”. Também a abordagem desta ONGD vai sendo diferenciada. Com projectos financiados pela cooperação portuguesa “são muito grandes as exigências de gestão de projectos e de orçamentos, que pedem uma actuação profissional”. Se “a realidade das ONG e do terceiro sector está a mudar, os Leigos acompanham essa mudança, apesar de mantermos o essencial, que é a ligação aos primeiros”. Os LD consideram que “a experiência também conta” e por isso não será circunstancial a procura, que anualmente têm de cerca de 100 pessoas. Paulo Costa frisa que este é um projecto “coerente e contínuo”. Os primeiros contactos É com este rigor e exigência que os candidatos a voluntários se apresentam. Nas sessões de apresentação, as pessoas “podem perceber o que é a ONG e que a entrega tem de ser exigente”, explica. O voluntário “tem de ser crítico do seu trabalho e da sua acção”. Trabalhando em cadeia, com protagonistas que mudam todos os anos ou de dois em dois anos, em projectos de desenvolvimento que se estendem no tempo, “alguém que faça um trabalho menos válido pode estragar um projecto de cinco ano”. Durante a formação é também transmitido este nível de exigência. As sessões de formação “abrem apenas o leque do que somos e o que fazemos no terreno”, explica Paulo Costa. A formação começa de forma “informal” e, ao longo do tempo, vai “mostrando quem de facto quer partir e se adequa ao perfil que procuramos”. O responsável recorda que, ao longo destes anos de trabalho, “muitas são as pessoas que se têm descoberto”. Pessoas que, à partida, poderiam estar “desadequadas ao pretendido, mas que se descobrem”. Por isso “o importante é vir e ver”. Após a sessão de apresentação, a formação dá início “logo na semana seguinte”. Até Agosto de 2009, haverá sessões quinzenais em sistema pós-laboral. “A completar a formação, existem ainda sete fins-de-semana temáticos, que apostam ora em temas do desenvolvimento, ora em relações humanas ou para o espiritual”. Trabalho de cooperação Não poucas vezes “os leigos são confundidos como professores”, conta o Paulo Costa. Esta é uma herança que ainda perdura”. A formação e capacitação “é uma marca” e é aqui que “se centram os projectos que desenvolvemos no passado e em que apostamos no futuro”, obviamente adaptados às necessidades e realidade local. Os projectos “surgem sempre de uma relação com um parceiro local, na sua maioria com dioceses, congregações e movimentos. Não são pensados em Lisboa, nem são construídos pelos leigos”, frisa o responsável. Na educação, o ensino é uma realidade “tanto em escolas oficiais como particulares”. Em alguns casos “e no princípio, deram apoio na criação de escolas, nomeadamente na administração e na pedagogia”. Nesta área ainda, há vários projectos de apoio à educação, nomeadamente as bibliotecas, os centros de informática com novas tecnologias. Caminhando para a saúde “estamos a desenvolver projectos de técnicos de saúde, sensibilização e mobilização social para endemias (cólera e malária, por exemplo). Ao nível da promoção social, e especificamente em Timor Leste, “desenvolvemos o micro crédito, com um parceiro local”. Os Leigos para o Desenvolvimento acompanham ainda crianças “órfãs, de rua, acusadas de feitiçaria, e, em alguns casos, apoiamos idosos a nível alimentar e de saúde”. Paulo Costa explica que “sempre houve muita vontade de partir em missão”. O responsável acredita que as condições actuais de desemprego, “sem ser critério para partir, ajuda as pessoas a pensar e a colocar a hipótese de sair de Portugal”. Apesar de o limite etário para ser voluntário nesta ONGD ser os 40 anos, o responsável aponta que “cada vez mais se nota uma vontade de pessoas mais velhas em partir”. Mais informações em www.ecclesia.pt/leigos Notícias relacionadas Leigos para o Desenvolvimento apelam ao voluntariado

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