Cinco jornalistas comentam cinco anos de Francisco, o Papa do século XXI

Lisboa, 12 mar 2018 (Ecclesia) – Um painel reuniu hoje cinco jornalistas de diferentes meios – televisão, rádio, agencia e online – que comentaram o pontificado de Francisco, no contexto dos cinco anos da sua eleição, e veem no pontífice argentino o Papa do século XXI.

O chefe de redação da Agência ECCLESIA afirmou que Francisco fala em nome dos que não têm voz e espera que a Igreja sinta cada vez mais “os problemas dos outros”

“O Papa fala em nome daqueles que a globalização deixou sem palavra”, disse Octávio Carmo, acrescentando que ele é a única “autoridade moral”, a nível internacional, para falar “em nome dos que não têm palavra”, um problema que “deve questionar” os cristãos.

“A Igreja Católica tem de sentir os problemas dos outros como seu. Por isso, tem de falar do proletariado, dos jovens, do trabalho como fonte de dignidade e não apenas como fonte de rendimento, dos sindicatos”, acrescentou, destacando que os “próximos 5 anos são para olhar para os frutos” do pontificado de Francisco.

Aura Miguel, da Rádio Renascença, explicou que Francisco é como “um pai com atenção para todos”, e de uma forma “muito simples”, e realçou que o Papa mostra que “sem relação com Cristo tudo desmorona”.

“A disponibilidade para se deixar amar por Jesus é o aspeto mais definidor do pontificado”, disse a vaticanista.

Da Agência Lusa, Joana Haderer, apresentou uma análise a partir da diplomacia, a sua área de trabalho e destacou os “gestos com muita eloquência” do Papa.

A jornalista assinalou que na diplomacia os gestos são “importantes” e exemplificou que Francisco não fala só sobre os problemas dos refugiados mas foi visitá-los à Grécia e acolheu uma família no Vaticano.

Joana Haderer sublinha que Francisco “lidera pelo exemplo” e em cinco anos “já conseguiu marcos históricos” na “mediação de conflitos”, como a aproximação de Cuba e dos EUA, no processo de paz na Colômbia.

No futuro próximo considera que o Vaticano vai virar-se para a Rússia e para a China: “Tudo se encaminha para conseguirmos ter melhoria das relações com estes países.”

João Francisco Gomes, vencedor do Prémio de Jornalismo D. Manuel Falcão 2017, da Igreja Católica em Portugal, desde que o Papa argentino foi eleito “é comum ouvir-se” falar de revolução.

“A revolução está na questão pastoral que muitas vezes é a mais descurada pelos jornalistas, que diz muito aos fieis mas aos editores e leitores de jornais, são questões da Igreja”, desenvolveu.

Para o o jornalista do ‘Observador’ vai haver “desencanto” porque a revolução não é de “mudar radicalmente a Igreja” mas uma Igreja mais próxima e com “os gestos de simplicidade contribui para passar imagem cada vez mais refletida nos padres e bispos”.

Já Joaquim Franco, que também acompanha a temática religiosa, os últimos cincos anos têm sido marcados por “conversas, proximidades, afetos”.

“O tempo que orienta o Papa Francisco é o da oportunidade”, afirmou o jornalista da SIC, para quem o pontífice “sente e vive claramente a experiência e conflito do outro”.

Segundo o orador, “essencial do Papa implica não perder o foco que é o Evangelho” que pressupõe “misericórdia e inclusão, discernimento e consciência”, afinal Francisco “retoma primado da consciência”.

“Se há revolução no caminho de Francisco é porque retoma o primado da consciência”, afirmou Joaquim Franco.

A conferência começou com uma intervenção de Adriano Moreira e depois uma conversa com o padre José Tolentino Mendonça que orientou o retiro da Quaresma 2018 ao Papa.

O Papa Francisco faz esta terça-feira, dia 13, 5 anos que foi eleito; É o primeiro Papa jesuíta na história da Igreja e também o primeiro pontífice sul-americano.

PR/CB

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