O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, apresenta em entrevista à Agência ECCLESIA o programa para a celebração do centenário das Aparições de Fátima, em 2017, avalia o itinerário de preparação que marcou os últimos anos, desde 2010, e reflete sobre a difusão da Mensagem de Fátima em todo o mundo ao longo de um século.

 

2010-2017: Mais do que uma evocação histórica

Agência Ecclesia – Em 2010, quando foi apresentado o itinerário de preparação para o centenário das Aparições, o bispo de Leira-Fátima desejou que as várias iniciativas não se reduzissem a uma “evocação histórica” para confirmar que a mensagem de Nossa Senhora “não ressoou em vão”. É isso que está a acontecer?

Padre Carlos Cabecinha –  Todas as iniciativas que têm dinamizado a vida do Santuário desde finais de 2010 têm mostrado essa atualidade da mensagem e que não foi em vão que a voz de Nossa Senhora ressoou na Cova da Iria. Como não é em vão que continua hoje a ressoar essa voz e a mesma mensagem! O que se foi promovendo foi mostrar aspetos por vezes esquecidos da Mensagem de Fátima e uma riqueza que temos vindo a descobrir progressivamente.

 

AE – Por exemplo?

CC – Começaria pelo Ano da Misericórdia, que estamos a viver. Um dos aspetos que se aprofundou relativamente à Mensagem de Fátima foi a dimensão da misericórdia, ainda sem suspeitarmos que o Papa Francisco convocaria este Jubileu extraordinário. A reflexão teológica que se fez sobre a Mensagem de Fátima destacou a dimensão de misericórdia da Mensagem e apresenta o conceito de misericórdia como a palavra chave que permite ler a totalidade da mensagem.

 

AE – A planificação dos sete anos de preparação do centenário teve sempre presente esse desafio de “ser mais do que uma evocação histórica”?

CC – O grande desafio partiu do Papa Bento XVI quando, em 2010, em peregrinação no Santuário de Fátima, diz “sete anos nos separam da celebração do centenário” e faz votos de que sejam um itinerário estimulante para a preparação dessa celebração festiva. Esse foi o ponto de partida para a programação deste septenário. Desde o início procurou-se ter por critério não fazer uma evocação do passado, mas olhá-lo para descobrir a sua riqueza, em relação à leitura do presente e à projeção do futuro. As várias ações que dinamizaram a vida do santuário não se orientaram na busca do passado mas, partindo das fontes, procuraram apresentar propostas de vivência presente. Por exemplo, no “Itinerário do Peregrino”, que em cada ano foi dinamizando a visita ao Santuário dos que aqui chegam, como uma proposta da vivência hoje da Mensagem de Fátima; ou o conjunto de ciclos de conferências anuais, que nos ajudaram a olhar para as fontes para perceber a Mensagem de Fátima hoje e o seu impacto; e os vários simpósios teológico-pastorais, que nos foram ajudando a olhar para a mensagem e a fazer a ponte com o mundo de hoje.

Um conjunto de iniciativas reflexivas que nos ajudaram a compreender a atualidade da mensagem.

Por outro lado, houve também a preocupação de proporcionar aos peregrinos melhores condições de vivência da peregrinação, o que passa pelo cuidado com as celebrações, a criação do hino do centenário, o arranjo dos espaços, como os parques envolventes, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário ou o altar do recinto.

 

Proporcionar ao peregrino uma experiência feliz de Fátima

AE – Os peregrinos, quem chega aos Santuário, está no centro de todo esse itinerário…

CC – O peregrino é sempre o nosso grande ponto de interesse. Nós queremos proporcionar ao peregrino uma experiência feliz de Fátima: um maior conhecimento da mensagem, uma profunda experiência de Deus, que está no centro da Mensagem de Fátima, e, por outro lado, a experiência festiva por estes 100 anos das aparições.

 

AE – Sendo a experiência do peregrino em Fátima sobretudo espiritual e emotiva, como criar sintonias com a experiência de estudo e reflexão de conferências e simpósios?

CC – Nós não temos ilusão de que toda a reflexão chegue a todos os peregrinos. O que procuramos fazer é proporcionar o fruto dessa reflexão, até de forma mais acessível, através do ‘Livro Ano’, por exemplo, que publicamos regularmente neste septenário e procura apresentar reflexões diversas que ajudem a profundar a Mensagem de Fátima através do tema de cada ano, e também a própria celebração, que deve ajudar o peregrino a dar um passo mais para uma vivência efetiva da sua fé a partir de Fátima  não se limitando a uma vivência afetiva.

A pastoral do Santuário tem na celebração da fé a sua grande ação pastoral, também em Fátima, quer na celebração litúrgica, quer noutro tipo de celebrações (estou a pensar por exemplo no Terço), que é também o elemento de maior impacto formativo nos fiéis, uma vez que transmite valores, transmite mensagens, a Palavra de Deus. Se há peregrinos para quem isso basta, há outros que procuram mais.

 

AE – Não é um público distinto?

CC – Não. São os mesmos peregrinos! Nem se trata de classes sociais entre os peregrinos, porque encontramos peregrinos de todas as classes sociais interessados no aprofundamento da Mensagem de Fátima.

 

AE – Que avaliação faz o reitor do Santuário de Fátima dos ciclos de conferências e dos simpósios que já aconteceram?

CC – As conferências e os simpósios têm permitido aprofundar a Mensagem de Fátima e fazer sínteses da mensagem. Até aqui, fomos descobrindo documentação, o Santuário publicou as fontes através da ‘Documentação Crítica de Fátima’, para tornar acessível a documentação fundamental para o conhecimento da Mensagem de Fátima. Estamos agora numa dimensão reflexiva de síntese, de procurar aprofundar as fontes, descobrindo os vetores fundamentais da mensagem.

Eu não digo uma síntese. A mensagem é demasiado rica para ser contida numa única leitura.

 

AE – Os temas anuais que determinaram o itinerário de preparação do centenário são também sínteses da mensagem?

CC – O primeiro grupo de trabalho que pensou esse itinerário temático tinha um princípio basilar: não se afastar da Mensagem de Fátima. A opção foi partir das memórias da Irmã Lúcia e do relato que faz de cada uma das aparições.

O primeiro tema congregava as Aparições do Anjo, em 1916, a partir daí, cada tema anual deste itinerário de sete anos ocupa-se de uma das aparições de Nossa Senhora, começando na aparição de maio até à de outubro, que dará tema ao Ano Pastoral 2016/2017.

 

AE – E de que forma esse tema passou para o quotidiano do Santuário, nomeadamente dos maiores momentos celebrativos?

CC – Nós não quisemos um conjunto de atividades avulsas, mas que tivessem impacto na vida do Santuário.

Os temas anuais não só guiavam o conjunto das peregrinações aniversárias e das outras celebrações como tema unificador, como procurámos que houvesse um conjunto de elementos visuais gráficos que chamasse a atenção para isso, tivemos também as exposições temáticas, numa outra linguagem, a da cultura e da beleza para aprofundar a mensagem, procuramos ter contributos específicos para a oração (referi já o ‘Itinerário do Peregrino’) e preparamos um conjunto de subsídios, como catequeses, encontros, esquemas de oração, a propor aos peregrinos que aqui vêm e também a quem, fora do Santuário, queira rezar em sintonia conosco.

 

Dizer Fátima por novas linguagens

AE – Com que objetivos foram promovidas outras iniciativas, com recurso a novas linguagens, como o concurso de fotografia ou o mural digital?

CC – Nós temos consciência de que a fé hoje tem de passar por novas linguagens. O grande desafio é não ficar nas linguagens que já usamos. Quisemos envolver a dimensão da imagem, através da fotografia, propondo um concurso fotográfico, e também propondo às crianças itinerários diversos de envolvimento com a Mensagem de Fátima pela pintura, desenho, a música. Procuramos também caminhos musicais que nos falem de Fátima, de dança contemporânea sobre Fátima… Uma diversidade de linguagens que possam falar. A arte tem esta capacidade de nos tocar profundamente falando-nos de um outro tipo de discurso que não é o das palavras. E quisemos não descurar nenhuma destas linguagens para chegar aos peregrinos.

O mundo digital exige também a nossa presença, o que estamos a fazer com o mural digital e a renovação do nosso site, que está em curso, e o desenvolvimento de aplicações para dispositivos móveis, em desenvolvimento.

 

AE – Essas novas linguagens são o motivo de rutura com o ambiente que caracteriza Fátima?

CC – Não há rutura nem pretendemos que haja!

Algumas destas linguagens podem não ser muito significativas para a totalidade dos peregrinos, mas sê-lo-ão para uma parte deles. E nós queremos que nenhum peregrino se sinta excluído. Por isso, diversificamos a nossa linguagem!

Vamos ao encontro dos peregrinos que aqui vêm e, através destas linguagens, alargamos o leque: se possível tocar outros para que venham, experimentem Fátima, conheçam Fátima!

 

AE – Que critérios presidiram à escolha de projetos e dos parceiros para os executar?

CC – Procuramos parceiros relevantes e linguagens atuais. Não nos interessou procurar linguagens que fossem réplica do passado. Por exemplo, na música: procuramos grandes nomes, de sentido religioso, e por isso fomos buscar um grande nome internacional, James Mac Millan, compositor escocês, e, a nível nacional para o mesmo concerto, Eurico Carrapatoso. Duas obras encomendadas com linguagens necessariamente diferentes mas numa sintonia espiritual e religiosa numa linguagem musical atualizada.

Também na dança procuramos nomes já consagrados que possam expressar nessa área artística que tão pouco exploramos na Mensagem de Fátima.

A nossa preocupação foi sempre diversificar aqueles a quem podemos chegar. A escolha de linguagens teve a preocupação de chegar a quem não presta atenção a Fátima, não se sentem sintonizados com Fátima.

Respondemos aos nossos peregrinos e também alargar o horizonte.

 

AE – Mas para traduzir Fátima nessas expressões artísticas não é necessário experimentar Fátima?

CC – Sem dúvida que é preciso experimentar Fátima. Por isso desafiamos todos estes artísticas a experimentar Fátima, a estar numa grande peregrinação, antes de compor.

 

AE – Estou a pensar na obra musical “Os três Pastorinhos de Fátima” de Arvo Pärt comparando-a com o Hino dos Pastorinhos na celebração de beatificação. Há uma grande distância entre essas obras musicais…

CC – São necessariamente duas linguagens musicais completamente diferentes.

Arvo Pärt foi alguém que convidamos a vir fazer a experiência de Fátima e, quando lhe pedimos um testemunho da sua presença em Fátima para a revista “Fátima XXI”, ele presenteou-nos com uma obra musical sobre os Pastorinhos, que não pretende ser um hino cantado por uma grande assembleia em Fátima, mas exprimir a experiência das crianças que são as destinatárias das aparições. É o testemunho pessoal de um grande artista.

 

Papa Francisco em Fátima

AE – Em 2016 e 2017, o que podemos esperar que aconteça no Santuário para assinalar o centenário?

CC – Há um conjunto de atividades, nomeadamente as mais festivas, que se concentram em 2016 e 2017, para assinalar o centenário das aparições do Anjo e de Nossa Senhora. O centro desta grande celebração será em 12 e 13 de maio de 2017, com a presença do Papa Francisco, que já está confirmada.

 

AE – O que espera da presença do Papa?

CC – Do ponto de vista do Santuário, temos a expectativa da presença do Santo Padre nas celebrações. Não sabemos se nos dias 12 e 13, gostaríamos que sim, mas certamente na grande celebração do dia 13. O programa não depende do Santuário nem está elaborado.

 

AE – A proposta está feita, por parte do Santuário?

CC – A proposta está feita para que o Santo Padre esteja nas celebrações de 12 e 13 de maio de 2017, em Fátima.

A presença do Papa, que esperamos nos dias 12 e 13, é suficiente para motivar uma grande festa, quer pelos peregrinos que atrai, quer pela palavra profética do Papa.

O Papa Francisco, desde o primeiro momento do seu pontificado, mostrou o seu caráter mariano (temos na memória a sua deslocação à Basílica de Santa Maria Maior após a sua eleição para entregar um ramo de flores a Nossa Senhora como sinal da consagração do seu pontificado a Nossa Senhora e o pedido feito ao então cardeal-patriarca para consagrar o seu pontificado a Nossa Senhora, o que foi feito neste Santuário). E a sua palavra é sempre profética, que nos toca e desinstala. Por isso a expectativa é a de que o Papa venha e, estando presente, nos desinstale e desafie na vivência da nossa fé.

 

Pórtico do Centenário

AE – E para além do dia 12 e 13 de maio de 2017?

CC – Temos um conjunto de iniciativas festivas!

Não há festa sem música, e por isso a música tem um peso particularmente grande.

Em março vamos inaugurar o órgão da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, após uma profunda renovação. Temos um concerto inaugural que iniciará um conjunto de concertos de órgão, outros concertos ligados à celebração dos pastorinhos, no dia 20 de fevereiro, quer este ano quer no próximo; temos o grande espetáculo de dança e, em outubro de 2017, o grande concerto com as obras encomendada a James MacMillan e Eurico Carrapatoso, que pretende ser o encerramento deste grande centenário das Aparições de Fátima.

Celebrativamente, o que vai marcar estes dois anos e sobretudo 2017, são as “Peregrinações Jubilares”, os peregrinos que vêm e celebram festivamente conosco o centenário das aparições. Para esses temos preparado um esquema com propostas para a ‘Peregrinação Jubilar’, uma oração, um itinerário próprio do peregrino que este ano os leva a passar pela ‘Porta Santa da Misericórdia’ e em 2017 os vai convidar a atravessar o ‘Pórtico do Centenário’, que vai ser criado”.

 

AE – Entre que período será possível realizar essa peregrinação jubilar?

CC – O Ano Pastoral no Santuário de Fátima começa sempre com o primeiro Domingo do Advento. Será, por isso, em final de 2016 até final de 2017.

 

AE – As peregrinações de maio a outubro farão memória centenária de cada uma das aparições…

CC – Faremos essa evocação centenária das aparições e procuraremos que sejam particularmente festivas essas peregrinações de 12 e 13 de outubro, que já procuramos dar particular destaque, agora com muito mais razão neste ano. Mesmo em termos de presença de presidentes convidados para estas peregrinações, teremos presenças muito significativas, que não posso ainda confirmar.

 

AE – A presença do cardeal Parolin em outubro de 2016 é bom lançamento dessas peregrinações do ano seguinte…

CC – Sem dúvida! Por um lado, pela importância que tem no contexto eclesial e porque vem preparar a vinda do Papa Francisco. O secretário de Estado vem presidir à peregrinação de outubro de 2016 lançando aquela que será outra grande peregrinação, que o Papa Francisco fará em maio de 2017.

 

AE – Que iniciativas culturais acontecem neste ano e em 2017?

CC – Procuraremos que a síntese e o aprofundamento da Mensagem de Fátima continue. Destaco dois acontecimentos reflexivos: o Mariano-Mariológico, em setembro de 2016, organizado pela Pontifícia Academia Mariana Internacional que terá lugar aqui em Fátima e sobre Fátima. Um Congresso que vai reunir os grandes mariólogos de todo o mundo para refletir sobre Fátima. Em 2017, é o Santuário que promove um grande congresso internacional que procura fazer a leitura da Mensagem de Fátima 100 anos depois.

Depois, os concertos, os concursos e outras inciativas para marcar o ritmo do culminar do itinerário de sete anos, para que fique na nossa memória, do Santuário e sobretudo dos peregrinos, a bênção da celebração dos 100 anos das aparições.

 

AE – O centenário das Aparições é também celebrado em todo o mundo?

CC – Sim. E esse é um dos aspetos que mais comove: o impacto de Fátima fora das fronteiras de Portugal. A devoção a Nossa Senhora de Fátima continua a expandir-se e é interessante notar que o continente em que percentualmente mais tem crescido o número de peregrinos é o asiático. Não em números absolutos, mas percentualmente.

Isso mostra que a difusão da Mensagem de Fátima continua a fazer-se, continua a chegar longe e esta gente que longe vibra com o centenário pede-nos contributos para celebrar conosco o centenário.

 

AE – A Ásia é também o continente onde mais cresce o número de peregrinações?

CC – O maior crescimento percentual sim, o maior número de peregrinações não. Espanha e depois a Itália são os países de origem do maior número de peregrinos estrangeiros.

 

Para além do centenário

AE – Que iniciativas assinalam o Jubileu da Misericórdia?

CC – O primeiro aspeto é a riqueza da Mensagem de Fátima como mensagem de misericórdia, caminho de misericórdia que nos revela o rosto misericordioso de Deus. Por outro lado, a valorização do serviço do sacramento da reconciliação, que ao longo deste ano vai merecer uma atenção particular, quer nas condições que procuraremos criar para todos os peregrinos que procuram aquele que é por excelência o sacramento da misericórdia, como no trabalho com os sacerdotes que exercem este ministério tão delicado. E o itinerário do peregrinos propõe a passagem pela “porta da Misericórdia”

 

AE – De que forma o sacramento da reconciliação vai merecer a atenção do Santuário?

CC – Estamos a trabalhar para uma melhoria no espaço das confissões do ponto de vista simbólico e queremos fazer uma reflexão sobre o acolhimento que se faz ao peregrino penitente, procurando melhorar o nosso acolhimento dos peregrinos. Com os confessores, trata-se de ir alertando para o que diz o Papa Francisco: a reconciliação é o sacramento da misericórdia, onde se exprime a misericórdia do Senhor.

 

AE – Porque pediu recentemente rigor teológico a quem dinamiza o terço na capelinha?

CC – Esse cuidado aparecia como um desafio, não porque não haja rigor teológico, mas porque é importante o rigor de linguagem, também a nível teológico, e a renovação da linguagem se queremos que a mensagem seja ouvida.

 

AE – Que centralidade tem Fátima na dinamização do turismo religioso em Portugal?

CC – Fátima tem um lugar central. Sem desprimor para muitos outros locais – e graças a Deus temos muitos – Fátima é um lugar emblemático para o turismo religioso. Os inquéritos feitos mostram que Fátima é o lugar mais procurado pelos estrangeiros e também pelos portugueses. Naturalmente, Fátima tema centralidade efetiva no turismo religioso em Portugal.

É necessário não partir do princípio de que não é preciso falar de Fátima  por ser o principal polo de atração turística.

Continuo a sentir que Fátima é o parente pobres da promoção turística fora de Portugal. Localmente, os vários parceiros têm todos um cuidado grande nessa divulgação, mas parece que lutam sozinhos. Por exemplo, se têm a preocupação de estar numa feira de turismo, não vemos a mesma preocupação em relação a além-fronteiras.

 

AE – O que depende do Turismo de Portugal…

CC – A promoção turística no estrangeiro depende do Turismo de Portugal. E não me parece que a divulgação de Fátima seja feita com grande vigor ou entusiasmo. Vejo o Turismo do Centro de Portugal com algumas iniciativas, dizendo que o turismo religioso é uma prioridade, apontando destinos concretos nomeadamente Fátima. A nível da internacionalização não me parece que esteja a ser feito o esforço necessário para levar o nome de Fátima além-fronteiras.

O Santuário tem tido a preocupação no que lhe é próprio, com atividades diversas, como um fórum sobre Fátima em Roma em maio último, estamos a preparar a edição de uma seleção da Documentação Crítica de Fátima em italiano e inglês para uma maior difusão.

AE – O Santuário de Fátima tem disponibilidade para cooperar com o Turismo de Portugal na internacionalização de Fátima?

CC – Há sempre disponibilidade do Santuário no que lhe é específico, que não é a promoção turística, mas levar a Mensagem de Fátima.

 

AE – Qual o papel do Santuário na Rede dos Santuários de Portugal?

CC – O Santuário de Fátima fez parte desde o início desta associação de santuários, através dos seus reitores. Nunca quisemos um protagonismo no conjunto dos santuários portugueses, que são uma realidade muito diversificada. Temos tido a felicidade de sermos os anfitriões dos encontros dos reitores dos santuários, no mês de janeiro. É também uma associação jovem, que tem de ser valorizada, porque os santuários são focos de atração turística e focos de dinamização da vivência cristã e de nova evangelização.

 

AE – Fátima continua a ter um papel central na reunião de diferentes grupos que dinamizam a pastoral da Igreja Católica em Portugal?

CC – Sim, mas sou suspeito, porque sou parte interessada.

Fátima tem, por um lado, a importância relacionada com o acontecimento sobrenatural que aqui teve lugar e é o “coração espiritual de Portugal”, para utilizar uma expressão do Papa Bento XVI, e por isso para aqui confluem movimentos e instituições eclesiais para as suas ações. E, por outro lado, tem a grande vantagem de uma certa centralidade geográfica e de ter as estruturas preparadas para o acolhimento. Por isso, ao longo do tempo, Fátima foi-se tornando o centro catalizador para as diversas atividades da Igreja em Portugal. Penso que continuará a sê-lo e o Santuário, pela sua parte, tem toda a disponibilidade para continuar a acolher a Igreja nas suas diversas instituições e no seu dinamismo para que aqui se reúna.

 

 

AE – Nessa disponibilidade, o pressuposto é: quem chega insere-se nas propostas celebrativas?

CC – O Santuário tem os seus próprios dinamismos para os quais convida aqueles que vêm. Mas aqueles que chegam têm os seus programas e têm sempre a possibilidade de, não se inserindo no programa do Santuário, desenvolver a sua ação de outro modo. Fátima tem espaço para toda a pluralidade!

 

AE – Também com a determinação de acolher expressões inter-religiosas?

CC – Fátima foi sempre um lugar de grande abertura. O recinto é imagem disso mesmo, é um recinto aberto. Nesse sentido, Fátima pode acolher quem vier. Mas Fátima é um Santuário Católico, tem essa especificidade, que acolhe todos os que chegam.

 

AE – Qual a disponibilidade do Santuário para acolher refugiados?

CC – Manifestamos a nossa total disponibilidade para acolher refugiados e comunicamos à Plataforma de Apoio aos Refugiados as condições de acolhimento. Temos um espaço preparado, com boas condições, para acolher os refugiados que possam vir.

 

AE – Quantos refugiados?

CC – Não definimos um número. Temos uma casa familiar, com muitos lugares, que pode acolher uma família numerosa ou duas famílias.

 

Imagem peregrina

AE – Qual o impacto da presença da Imagem Peregrina de Nossa Senhora nas várias dioceses de Portugal?

CC – Essa foi uma iniciativa abraçada desde o primeiro momento pelo episcopado português. A visita da Imagem Peregrina não abre noticiários, mas o impacto que está a ter tem sido incrível e enorme. Em todas as dioceses.

Antes desta iniciativa houve uma outra, direcionada às comunidades contemplativas, que foi também uma bênção pelo modo como estas comunidades viveram esta visita.

Mantemos a expectativa de que Nossa Senhora vai visitar e também convidar para que depois venham ao seu Santuário para a celebração do centenário.

 

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