D. Manuel Linda parte da pergunta: «Fica bem a um santo ser revolucionário?»

Porto, 16 out 2018 (Ecclesia) – O bispo do Porto afirma que os mais recentes santos católicos “abriram a Igreja ao futuro e o futuro à Igreja”, pela sua vida e ação, por isso, são verdadeiramente “evolucionários” e não revolucionários.

“Nenhum santo viveu a vida às arrecuas nem se moveu à volta do seu individualismo. Por isso, para os caracterizar, prefiro a palavra «evolução», pois este «e» parece incluir a ideia de dinamismo, ação para diante, abertura do «rolo da vida» que estaria encerrado”, explica D. Manuel Linda.

O bispo do Porto destacou as canonizações do Papa Paulo VI e de D. Óscar Romero, da celebração presidida pelo Papa Francisco, este domingo, quando foram elevados aos altares mais cinco santos, os padres Francesco Spinelli (1853-1913) e Vincenzo Romano (1751-1831), as religiosas Maria Catarina Kasper (1820-1898) e Nazária Inácia de Santa Teresa de Jesus (1889-1943) e o jovem leigo italiano Nunzio Sulprizio (1817-1836).

“Os santos, os verdadeiros santos, são estes que lançam raízes nas exigências da fé e se recusar arredar pé desse âmbito. Por isso, são empurrados para fora dele, mediante o martírio”, observa.

Sobre “o grande, grande” Paulo VI, o Papa que encerrou o Concílio Vaticano II e o primeiro a visitar o Santuário de Fátima, D. Manuel Linda destaca que “a história haveria de colocar” como charneira entre duas épocas que “quase se não reconheciam”.

“Se São João XXIII é o pai do Concílio, foi Paulo VI quem o acolheu desde o mais tenro início de vida, o alimentou, cuidou, robusteceu, educou e inseriu na vida ativa. E muito sofreu por causa deste menino”, desenvolveu.

Neste contexto, explica que o Papa Montini teve de “defender” o Concílio Vaticano II de “dois extremismos” que sempre acompanharam a vida da Igreja: “O pseudo progressismo e o conservadorismo pagão”.

Já sobre D. Óscar Romero, o arcebispo de El Salvador que foi assassinado enquanto celebrava Missa, a 24 de março de 1980, o bispo do Porto considera que “torna palpável” o que o Papa Francisco diz sobre a Igreja “hospital de campanha” no acolher a todos.

“Curiosamente, aquilo que é reclamado pelo mandamento novo do amor que recebemos do Senhor Jesus é visto por alguns como afronta e provocação. E reagem com a violência que reclama o sangue inocente”, desenvolve.

Segundo D. Manuel Linda, os verdadeiros santos ficam “eternamente plantados na mente do seu povo” como sentinelas da luz da madrugada e “indicadores do rumo da verdadeira evolução”.

O bispo do Porto, no artigo de opinião “fica bem a um santo ser revolucionário?” afirma que etimologicamente “parece que não” e explica que “na sua origem, o prefixo «re» significava “voltar para trás”, girar em torno do próprio eixo”.

CB

 

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