Região «não tem acesso a fundos comunitários para atenuar o problema da pobreza» – Domingos de Sousa

Foto portodesetubal.pt

Setúbal, 06 nov 2018 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal disse que está “muito preocupado” com “bolsas de emigrantes em condições muito difíceis” e com os “trabalhadores que não deixam de ser pobres” numa região que “não tem acesso a fundos comunitários”.

“Há trabalhadores que não deixam de ser pobres. É uma preocupação muito grande”, afirmou hoje Domingos de Sousa, explicando que as diversas campanhas de solidariedade – 10 milhões de estrelas, ofertório do Dia Nacional Cáritas e peditório público – “não chega para responder aos problemas que as paroquias enviam”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o presidente da Cáritas de Setúbal observa que devido à inclusão desta região na Área Metropolitana de Lisboa “os critérios de avaliação” para “duas realidades diferentes” são os mesmos, por isso, “não tem acesso a fundos comunitários para atenuar o problema da pobreza”.

“A inversão desta situação passa pela alteração da legislação nacional que está a impedir a região de se candidatar a esses fundos e que prejudica empresas, instituições, autarquias”, desenvolveu.

As “bolsas de emigrantes em condições muito difíceis” que encontraram recentemente quando o bispo de Setúbal, D. José Ornelas, visitou umas paróquias também são uma situação de “muita preocupação”.

“Para compreender os problemas” e “ajudar” a Cáritas Diocesana de Setúbal já teve reuniões com o pároco, pessoas da paroquia, responsáveis da junta de freguesia.

Com a proximidade do Natal, Domingos de Sousa pediu ajuda «a todas as pessoas de boa vontade» para que seja «um tempo de Esperança» para os pobres, os desempregados; os abandonados, os presos e para os migrantes e refugiados.

O objetivo foi “lançar o alerta e pedir que as pessoas estejam disponíveis” porque “há razões muito fortes para acreditar no trabalho da Cáritas”.

A Cáritas Diocesana de Setúbal é a “segunda maior do país” com cerca de 150 trabalhadores, que nos “tempos difíceis” para todas as instituições “são um encargo muito grande”, e 1200 utentes, nas diferentes respostas sociais.

“Estamos a estudar detalhadamente todos os aspetos para ver onde podemos introduzir alguma coisa que venha melhorar a situação económica da instituição”, explicou, realçando que “a situação financeira não é má, o legado é bom”.

No dia 1 de novembro, comemoraram-se 42 anos da assinatura do decreto de constituição da Cáritas Diocesana de Setúbal, por D. Manuel Martins, o primeiro bispo diocesano.

O atual presidente da instituição, uma direção com pouco mais de dois anos, destacou “42 anos de trabalho das direções do Dr. Eugénio Fonseca” que “deixou obra notável em todos os aspetos”.

Da experiência de serviço acumulada no setor social da Igreja Católica nível diocesano e nacional, Domingos de Sousa disse que este “trabalho de missão” é “desafiante” e “é dever responder” aos desafios apresentados.

CB

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