«Missionário da Misericórdia» do Papa Francisco sucede a D. Manuel Linda à frente do Ordinariato Castrense

Foto D. Rui Valério, novo bispo das Forças Armadas e de Segurança. Créditos: Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 27 out 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco nomeou hoje como bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança em Portugal D. Rui Valério, de 53 anos, que sucede a D. Manuel Linda, atual bispo do Porto.

O anúncio foi feito pela Nunciatura Apostólica, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

D. Rui Manuel Sousa Valério, o novo responsável pelo Ordinariato Castrense em Portugal, é natural da Urgueira, no Concelho de Ourém, e conta no seu percurso com vários anos de serviço junto das forças militares, neste caso da Marinha Portuguesa.

Entre 1992 e 1993 foi capelão militar no Hospital da Marinha, serviço que assumiu também na Escola Naval, de 2008 a 2011.

Em declarações enviadas à Agência ECCLESIA, o novo bispo português deixa “uma saudação muito próxima a toda a diocese”, centrada “nos militares, nos agentes de segurança, no pessoal civil”, em “todos os homens e mulheres” que estão ao serviço do país, quer em território nacional quer “em missões internacionais”.

Agentes que “estão não só em nome ou em prol da paz mas são também exímios embaixadores daquilo que é Portugal, os seus valores e a sua fé na liberdade, na paz e na justiça”, realça D. Rui Valério.

O novo responsável católico para as Forças Armadas e de Segurança dirige-se ainda a todos os sacerdotes e capelães empenhados neste setor, para destacar o trabalho que realizam todos os dias no meio militar, em particular “junto e com os jovens”.

D. Rui Valério conclui a sua mensagem com um “agradecimento” especial às comunidades por onde passou, quer no Patriarcado de Lisboa, diocese onde se encontrava atualmente, quer na Diocese de Beja e também junto da congregação dos Padres Monfortinos, à qual está ligado.

Foi no início da década de 90 que D. Rui Valério professou os seus votos perpétuos, dentro da congregação dos Padres Monfortinos, e foi ordenado padre, em Fátima, a 23 de março de 1991.

Como sacerdote, esteve nas paróquias do Concelho de Castro Verde, na Diocese de Beja, primeiro como coadjutor, de 1993 a 1995, e depois como pároco, de 2001 a 2007.

Foi também coadjutor na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião, no Patriarcado de Lisboa, de 1996 a 2001 e nomeado pároco em 2001, missão que exercia antes de ser agora nomeado bispo.

Numa nota publicada este sábado, a Conferência Episcopal Portuguesa “congratula-se com a nomeação de D. Rui Valério para servir o Povo de Deus no contexto das Forças Armadas e de Segurança e com a sua qualificada presença no seio do Episcopado português”.

O cardeal-patriarca de Lisboa também já reagiu ao novo bispo, com uma palavra de “gratidão” ao novo bispo, pela “grande dedicação” que colocou em todos os projetos a que foi chamado no território lisboeta, e junto da comunidade católica, que “serviu com entusiasmo e acerto”, realçou D. Manuel Clemente.

Outra reação chegou da Diocese de Bragança-Miranda, devido às raízes transmontanas do pai de D. Rui Valério, que é oriundo do Larinho, da Unidade Pastoral de S. José, Arciprestado de Moncorvo.

D. José Cordeiro, nas redes sociais, remete uma “saudação” ao novo bispo das Forças Armadas e de Segurança, com votos de “que  o seu múnus pastoral seja profícuo”.

A ordenação episcopal de D. Rui Valério vai ter lugar no dia 25 de novembro, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e será feita em conjunto com a ordenação de D. Daniel Henriques, recentemente nomeado pelo Papa como bispo auxiliar para o Patriarcado de Lisboa.

Recorde-se que em 2016, durante o Jubileu da Misericórdia, o novo bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança foi um dos 1071 sacerdotes enviados pelo Papa Francisco como “missionário da misericórdia” às comunidades de todo o mundo.

Sobre o Ordinariato Castrense de Portugal, assim designado a partir de 1986, com a Constituição Apostólica ‘Spirituali Militum Curae’, realce que entre 1966 e 2000, este tratava-se de um setor pastoral a cargo do patriarca de Lisboa.

Através do decreto n.º 387/87, de 17 de março de 2001, João Paulo II decidiu anuir ao pedido formulado pela Conferência Episcopal Portuguesa, separando o múnus do Ordinariato Castrense de Portugal do de patriarca de Lisboa.

Pertencem ao Ordinariato Castrense e estão sob a sua jurisdição todos os fiéis militares e também aqueles que, por vínculo da lei civil, se encontram ao serviço das Forças Armadas; são também setores integrantes as Forças de Segurança, ou seja, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública.

O Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas e das Forças de Segurança foi regulamentado em 2009, na sequência da Concordata assinada entre Portugal e a Santa Sé em 2004, sendo constituído pela Capelania Mor e pelos centros de assistência religiosa da Armada, do Exército, da Força Aérea, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública.

A Capelania Mor é um órgão de natureza inter-religiosa integrado no Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas e das Forças de Segurança, que assegura” o regular funcionamento da assistência” e compreende na sua composição um capelão-chefe, por cada confissão professada, que coordena a respetiva assistência religiosa.

JCP

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