Dia Internacional das Migrações, esta terça-feira, é assinalado com o  encontro «Eu também sou voz»

Lisboa, 17 dez 2018 (Ecclesia) – A diretora do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana, Eugénia Quaresma, e Saeda Abdelnour, do Serviço Jesuíta aos Refugiados, valorizaram a adoção dos pactos das ONU para o setor e dizem que é necessário “mudar a narrativa” sobre os migrantes.

“O entendimento quer sobretudo acentuar a cooperação, a solidariedade e corresponsabilidade dos países, de todos, para enfrentar a questão das migrações”, disse Eugénia Quaresma em declarações à Agência ECCLESIA.

A também diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações considera que é necessário não estar focado apenas na “questão da segurança e da criminalização”, mas olhar para a oportunidade que “é a pessoa movimentar-se”.

No dia 10 de dezembro foi aprovado o “Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular”, numa conferência intergovernamental, em Marraquexe, Marrocos, em ordem a um “equilíbrio entre a segurança e os Direitos Humanos”, .

“É um documento que remete para estes direitos básicos sem esquecer os deveres a que todos estamos obrigados, recordando que são pessoas que estão em circulação”, comentou Eugénia Quaresma sobre o Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular que expressa valores universais, sob a forma de 23 objetivos gerais.

Migrar de forma segura e ordenada pode ser uma grande ambição mas a diretora do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana, da Igreja Católica, realça que “é a única maneira de combater os traficantes de pessoas” e esse “crime organizado”.

“Acreditamos que isso só pode ser viável de uma forma regular e assegurada por todos os Estados. Muitas destas máfias aproveitam-se da setorização. As pessoas querem fechar, construir muros e isto vai agudizar a ação das máfias”, desenvolveu a entrevistada realçando que o “pacto apela a soluções muito práticas”.

Saeda Abdelnour explica que o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) em Portugal trabalha mais focado nos migrantes mas também “no regulamento dos refugiados” e querem que estes planos avancem e se materializem “em soluções mais agregadas”.

“Portugal ainda continua a ser país que procura bem acolher e bem receber. Espelhado nisto estão as nossas leis de acolhimento de migrantes e refugiados”, desenvolveu.

Saeda Abdelnour observou contudo que “existe alguma polarização nas opiniões em relação ao acolhimento de migrantes e refugiados” e que se “assiste muito a esse debate nas redes sociais”, mas também vê aparecerem “novos movimentos de acolhimento, de defesa de Direitos Humanos”.

Esta terça-feira, Dia Internacional dos Migrantes, o JRS promove a iniciativa ‘Eu também sou voz’, a partir das 18h00, nos Anjos70, em Lisboa.

Saeda Abdelnour realça que o encontro vai “dar palco” a pessoas que nem sempre o têm e, “às vezes, são invisíveis ou postas numa posição que não é de grande visibilidade” e foram convidados a contar “a sua história de integração, os obstáculos, a experiência migratória”.

“São representantes das suas histórias pessoais e acima de tudo são pessoas como nós que fizeram o seu próprio caminho. Têm percursos que podemos atravessar um dia”, observou o membro do Serviço Jesuíta aos Refugiados de Portugal.

Um encontro realizado no âmbito da Rede Interinstitucional para Migrantes, na certeza de que “escutar histórias é ancestral” e “humaniza, ajuda a descobrir o caminho”, considera a diretora do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana da Igreja Católica.

“Precisamos de reaprender a conversar, olhar nos olhos, conviver. Redescobrir que fazemos parte de uma humanidade comum”, alerta Eugénia Quaresma sobre a iniciativa que vai ser o arranque da campanha ‘Eu também sou voz’.

 

HM/CB/PR

 

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