Sacerdote de Aveiro esteve dois anos a estudar Teologia Pastoral, em Roma

Lisboa, 06 mar 2018 (Ecclesia) – O padre Francisco Melo, da Diocese de Aveiro, dá pistas para a pergunta «A Paróquia tem futuro?» no seu trabalho de investigação em Teologia Pastoral, falando numa “crise de identidade”.

“A paróquia vive uma crise de identidade, procura saber quem afinal é, qual é o lugar que ocupa nesta ação pastoral da Igreja, tem também uma crise de representação”, explica o sacerdote em entrevista à Agência ECCLESIA.

O padre Francisco Melo contextualiza que, antes, reconhecia-se a paróquia como uma instituição que “representava o povo, tinha uma certa autoridade”, mas há também uma crise de significado e “tem dificuldade para ser capaz de dar significado, coerência, harmonia aquilo que é o quotidiano e vida das pessoas”.

Neste âmbito, explica que a dimensão da territorialidade hoje é diferente, bem como o sentido de pertença, porque a pessoa nasce num sítio, “está a trabalhar noutro, mora noutro completamente diferente” e ainda pode ter a sua vida cristã em outro local diferente.

Segundo o pároco de Oliveira do Bairro e da Palhaça, na Diocese de Aveiro, a paróquia sobrevive porque “tem versatilidade” para integrar os que são “muito próximos, têm a fé muito enraizada e vivem com muita coerência” mas também os que vivem mais afastados, estão mais longínquos, “está aberta a todas estas pessoas”.

Na Igreja está aberta a todos, onde as pessoas podem ir a várias paróquias, os sacerdotes têm nessa itinerância uma “dificuldade que pode ser oportunidade e desafio”, num âmbito de ação “grande”.

O sacerdote que estudou Teologia Pastoral, em Roma, frisa que é necessário ser-se capaz de “reconfigurar” o elemento da paróquia, de o viver na realidade concreta que se vive hoje.

“A paróquia vive uma certa crise que precisamos de olhar, e que em muitas situações talvez seja desvalorizada, por haver correntes que acham que não está preparada para responder ao mundo hoje”, realça.

O autor do estudo ‘A paróquia tem futuro?’ recorda que a paróquia, normalmente, associada à localização mais próxima da casa das pessoas, “a forma que têm de sentir e viver a Igreja”, já existem desde o século IV “de forma bastante estável e capilar”.

“Ainda vivemos muito uma paróquia fruto do Concilio de Trento (1545-1563) e da maneira como se organizou e estruturou e as opções pastorais que tinha para responder aquela realidade. O mundo mudou e a Igreja também”, desenvolve.

O autor explica que passou a sua vida de padre como pároco e nessa realidade em que viveu foi “sentindo as dificuldades” da paróquia e que também as pessoas vão tendo na paróquia.

“Na escolha do tema, entre outras, este foi o que me seduziu e poderia ser útil para a minha diocese e o meu futuro pastoral”, acrescentou.

‘A paróquia tem futuro?’ é uma reflexão feita a partir do sínodo que a Diocese de Aveiro viveu entre 1992 e 1995, “e toda a pastoral depois disso até aos nossos dias”.

Para o padre Francisco Melo é “importante” que a Igreja Católica em Aveiro e as suas paróquias adotem um “estilo de sinodalidade e método de discernimento pastoral”, ou seja, que se faça “caminho em comunidade que é sujeito do discernimento”.

HM/CB/OC

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