José Luís Nunes Martins

É uma resposta muito comum que nos é dada quando expressamos o nosso desacordo com o que alguém deseja.

O problema do mal está na raiz da realidade. Será que tudo o que não é bom é mau? Será que o mal é apenas e só uma ausência de bem e não algo concreto?

Mais, será que o facto de existirem várias teorias sobre a localização da linha que separa o bem do mal, tal significa que ela é maleável? Ou será que não existe sequer por si só, e é desenhada por cada um de nós de acordo com as próprias convicções? Ou será que o mal nos induz a fugirmos da clara evidência da diferença, em absoluto, do que é bom e do que é mau?

Há quem julgue que o mal não existe porque é transparente à razão. Pensam que como não o podemos compreender, é algo que não tem lugar na realidade. Como se nada pudesse existir sem que o entendimento humano o abarque!

É difícil demonstrar a concreta existência do mal, até porque seduz e promete muitas coisas agradáveis. A mentira, uma das suas principais armas, pode ser mesmo muito encantadora e embalar-nos da forma pela qual tantas vezes suspiramos, no entanto, é, na verdade, um dos piores enganos. Pretende apenas que deixemos de ser quem somos, quem podemos e devemos ser, a fim de nos esvaziar do bem que é a raiz e o alimento da nossa autenticidade.

A maldade é sempre mais fácil do que a bondade.

Onde é que está o mal? Os males não estão no fundo de uma rua qualquer. Estão em nós, pelo que o combate que travamos com eles é interior. O mal pretende que nos tornemos estéreis, que não criemos, que nada façamos, que nos deixemos ir e nos tornemos dependentes.

O bem está acima de nós, acredita em nós, mas precisamos de muito esforço e sacrifício para o alcançar. O mal está abaixo, espera-nos, vence sempre que nos deixamos cair, sempre que largamos os nossos sonhos, a nossa missão… sempre que renunciamos a lutar por ser quem somos.

O tédio é uma das portas do inferno íntimo.

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