Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos

O Papa Francisco quis dedicar aos mais débeis, o Dia Mundial da Paz de 2018. Na sua mensagem que é estruturada segundo o método de Revisão de Vida da LOC/MTC, Ver Julgar e Agir, com o tema «Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz», faz-se, mais uma vez, Porta-voz daqueles que estão desesperadamente à procura de um horizonte de vida em paz.

No VER afirma que a Paz é uma aspiração, profunda de todas as pessoas e de todos os Povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta e recorda os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados, referindo que estes últimos, como afirmou o seu antecessor Bento XVI, são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz. E para encontrar esses lugares muitos deles estão prontos a arriscar a vida, sujeitando-se a fadigas e sofrimentos e a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta. Num olhar mais profundo apontou como causas: fugir da guerra, da violência, da miséria, do desespero; reagrupar a família; procurar novas oportunidades de vida.

No JULGAR o Papa aponta a falta de solidariedade por parte dos que não acolhem os refugiados. Não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer para que os nossos irmãos voltem a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios, uma atenção vigilante e abrangente, uma gestão responsável de novas situações complexas que por vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes. Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmonioso. As pessoas partem para se juntar à própria família, para encontrar oportunidades de trabalho ou de instrução: quem não pode gozar destes direitos, não vive em paz. Quem olha para esta realidade sem sentimentos evangélicos de misericórdia e de solidariedade, mas com medo dos riscos para a segurança nacional ou do acolhimento dos recém-chegados, está a desprezar a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus. Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia.

A mensagem refere como positivo: a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos; e também, o facto da integração de migrantes e de refugiados nas sociedades de acolhimento poder ser uma preciosa mais-valia, pois eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Tal como acontece no método da REVISÃO DE VIDA, a mensagem lança sobre esta realidade o olhar da fé, fundamentado na palavra de Deus e reconhece que, segundo a revelação bíblica, todos pertencemos a uma só família e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a Doutrina Social da Igreja.

No AGIR somos exortados a olhar estas realidades não como ameaça, mas com um olhar de confiança, como uma oportunidade para construir um futuro de paz, numa ação orientada por quatro atitudes muito concretas: acolher, proteger, promover e integrar.

O drama dos migrantes e refugiados é uma das situações mais chocantes das sociedades de hoje, ligadas a um modelo de desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que tornou as pessoas e as sociedades mais ricas, indiferentes ao destino dos pobres.

Nós os cristãos em geral, também não temos estas questões no primeiro plano das nossas preocupações, apesar de elas serem um campo por onde deveria passar o nosso compromisso de fidelidade à mensagem evangélica.

LOC/MTC

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