Semana de Ação Global da Cáritas vai estar em destaque na próxima emissão do programa «70×7»

Lisboa, 22 jun 2018 (Ecclesia) – O primeiro-ministro António Costa afirmou que a União Europeia (UE) tem um “desafio” na reorganização do “sistema de recolocação” de refugiados, mas destaca que “o grande desafio” é resolver o problema “nas raízes”.

“O grande desafio é conseguirmos trabalhar este problema dos refugiados nas raízes, isto é, promovendo a paz, o desenvolvimento, a liberdade, a democracia, os direitos humanos”, disse António Costa em declarações à Agência ECCLESIA

O chefe de Governo observou que são “condições essenciais” para que as pessoas só se movimentem porque “têm a liberdade de o fazer” e não essa necessidade.

A União Europeia, acrescentou, tem um desafio na reorganização do “sistema de recolocação” de refugiados porque as pessoas “fixam-se” onde conseguem ter a oportunidade de “construir um projeto de vida”.

“Significa encontrar oportunidade de estudar, de trabalhar, de reunir a sua família, de se encontrar com os seus amigos e nós, que temos uma longa tradição de emigração, sabemos como é que quem emigra gosta dos locais que procura”, explicou António Costa.

A Semana de Ação Conjunta Mundial ‘Partilhar a Viagem’, da Cáritas Internacional, vai estar no centro da próxima emissão do programa 70×7, este domingo, na RTP2 (13h40).

A Cáritas Portuguesa promoveu um evento, em Lisboa, para assinalar esta iniciativa, com a presença do primeiro-ministro, para quem as pessoas procuram locais onde têm alguém que “acolha, conhecido” que ensine a viver na terra, “crie oportunidade de trabalho, de inserção”.

“Temos uma oferta à União Europeia de acolhimento de refugiados que é o dobro da quota que estava fixada, os programas de recolocação não têm funcionado de forma eficaz. Das 10 mil recebemos 1500 pessoas, parte, entretanto, decidiram organizar a sua vida noutros países”, desenvolveu.

António Costa espera que a UE “aprenda com as boas práticas” e deu exemplo o programa do “presidente Jorge Sampaio para os estudantes Sírios”.

O chefe de Governo criticou as más práticas que são “simplesmente movimentar as pessoas como se fossem coisas”.

António Costa revela que fica “inquieto” sempre que um dos países da união Europeia “tem a ilusão de que fechando as fronteiras resolve o problema” ao caso dos refugiados e migrantes forçados como aconteceu com o navio ‘Aquarius’ que foi recebido no domingo em Valência, na Espanha, depois de ter sido impedido de atracar na Itália.

“Pelo contrário, cria um problema humanitário, um problema ao conjunto dos outros países da UE, aos países de origem, e, sobretudo, cria um problema seguramente à sua própria consciência porque ofende a dignidade das pessoas”, desenvolveu no Salão Almada Negreiros, na Gare Marítima da Rocha Conde d’Óbidos, em Lisboa.

Segundo o primeiro-ministro português, “sempre” que fecha um corredor o fluxo migratório “vai evoluindo” e deu como exemplo o encerramento da rota das Balcãs porque a pressão deslocou-se “para a rota do Mediterrâneo central”.

“Agora regressará ao Mediterrâneo ocidental, como foi há 10 anos”, previu António Costa, em declarações que vão integrar o programa ‘70×7’, dedicado à Semana de Ação Conjunta Mundial ‘Partilhar a Viagem’.

HM/CB/OC

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