Diretor do Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados aos «sinais preocupantes» na Europa reforça necessidade de mais acolhimento e integração

Lisboa, 20 jun 2018 (Ecclesia) – O diretor do Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados (JRS/Portugal) assinalou o Dia Mundial do Refugiado com “alegria” e “preocupação” pela continuação da “sequela da crise de refugiados 2015”, que não foi “assumida” por todos os grandes responsáveis mundiais”.

“Ninguém está a salvo da tentação xenófoba, nenhum país pode dizer que não há mas é preciso trabalhar diariamente para que se destruam os mitos e a partir da realidade dos fatos possamos criar sociedade justa para todos em que refugiados e migrantes possam encontrar nova oportunidade e ser cidadãos como nós”, afirmou André Costa Jorge.

Em declarações à Agência ECCLESIA, disse que há “sinais preocupantes” dentro da Europa, nomeadamente na Itália, onde os novos governantes manifestaram “uma postura xenófoba”.

O diretor do JRS explicou que cada um dos refugiados, “sobretudo os mais vulneráveis, mulheres e crianças”, sofrem “horrores da perseguição, da guerra” e são sempre motivo de apoio.

“Procurarmos que encontrem uma nova vida”, desenvolve, acrescentando que Portugal “é um exemplo no acolhimento”, por isso “importa” e “é importante” não deixar que o esforço de acolhimento “não esmorça”.

Para André Costa Jorge, importa distinguir “o esforço” foi feito no âmbito da recolocação, ou seja, a resposta de emergência sobretudo na Grécia, que se conhece sobretudo da operação de 2015 até aos dias de hoje, e, atualmente, a “resposta de emergência dentro da Europa”.

Contudo, é “importante ir mais longe” e proteger a vida dos refugiados “do outro lado da fronteira”.

“Propomos em continuar este esforço da sociedade civil em apoiar o esforço do Estado Português de respeitar os seus compromissos internacionais em matéria de proteção humanitária”, acrescenta.

Para o diretor do JRS Portugal, “como no passado recente”, cabe à sociedade civil dizer “sim”, que está pronta e que os refugiados “terão sempre apoio para recomeçar em Portugal as suas vidas” e, se for a sua vontade, continuar aqui a viver.

Segundo André Costa Jorge a rede de instituições no terreno que acolhem “são autênticas comunidades de hospitalidade”, por isso, acredita que muitas vão manter “a vontade de fazer este acolhimento”, a partir da experiência adquirida.

“No diálogo que temos com o governo é dizer que estamos pronto para apoiar o esforço português e Portugal possa manter-se na linha da frente dos refugiados e dos mais vulneráveis”, desenvolve.

O Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados adianta que o desafio que lançam, em parceria com todos que compõem plataformas de apoio aos refugiados, é a “importância de retomar” o que foi e tem sido “o acolhimento aos refugiados” em Portugal.

Já a diretora da Obra Católica Portuguesa para as Migrações (OCPM) referiu que, quanto às notícias de acolhimento, “é no terreno que se verifica a ação sociedade civil”.

“Se temos um lado desperta para esta realidade, que trata cidadãos de outra nacionalidade com maior cordialidade, temos outros que não reconhecem os trabalhadores de outras nacionalidades pessoas com direitos”, disse Eugénia Quaresma.

Em declarações à Agência ECCLESIA, sublinhou a importância de “defender, proteger” os cidadãos que procuram “melhores condições de vida”.

“A pessoa não devia deixar de ser pessoa só porque mudou de um país para o outro. Os trabalhos de advocacia”, realçou a diretora da Obra Católica Portuguesa para as Migrações.

HM/CB/OC

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